sábado, 17 de setembro de 2011

Prazo de validade vencido

Em 27 de janeiro 2010,  ao criticar, mais uma vez, os partidos de oposição que, segundo ele, derrubaram a CPMF para prejudicar seu governo,   L.I. disse que  "... a desgraça da política éporque o político deveria ter carimbado na testa aquele prazo de vencimento".
No mes passado, para justificar seu empenho em  transformar Fernando Haddad em Prefeito de São Paulo, L.I. alegou que São Paulo precisa de algo novo. 
Vamos fazer de conta que acreditamos nesse novo L.I., que sempre se juntou ao que há de mais encruado na política nacional.  Como é o caso dos seus amigos de vida pública, que só não criaram calo no traseiro porque pouco ficam sentados em suas cadeiras  'de trabalho'.
Quanto a L.I., o marketeiro, por que motivo ele gosta tanto de direcionar os idiopatas a escolherem candidatos desconhecidos?   Nesse estilo desenchabido Dilma-Haddad, duas figuras que nunca participaram de qualquer eleição e jamais sentiram a aprovação e o conhecimento popular?
Ao dizer, cheio de convicção, que São Paulo  precisa de algo novo. o marketeiro L.I atropela a realidade, pois todo o Brasil precisa de coisa nova, de gente nova.   Políticos novos, para dar fim à senilidade mental que se abateu sobre a honestidade brasileira. Enquanto houver uma única laranja podre, todas as outras ficarão igualmente estragadas. O que está apodrecido deve ir para o lixo. 

STJ anula investigação da PF contra a família Sarney

Depois dizem por ai que todos são iguais perante a lei
O STJ (Superior Tribunal de Justiça) anulou todas as provas obtidas pela operação da Polícia Federal que investigou os negócios do empresário Fernando Sarney e outros familiares do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), informa reportagem de Andreza Matais e Felipe Coutinho, publicada na Folha deste sábado (íntegra disponível para assinantes do jornal e do UOL, empresa controlada pelo Grupo Folha, que edita a Folha).
Em decisão unânime, os ministros do tribunal entenderam que os grampos que originaram as quebras de sigilo foram ilegais. A decisão devolve as investigações à estaca zero.
No ano passado, a Justiça já havia invalidado parte das provas obtidas por interceptação de e-mails na operação da Polícia Federal, chamada de Boi Barrica e mais tarde rebatizada de Faktor.
A investigação da Operação Faktor começou em fevereiro de 2007, devido à movimentação atípica de R$ 2 milhões na conta de Fernando Sarney e de sua mulher, Teresa Murad Sarney.
A apuração se estendeu até agosto de 2008 e apontou crimes de tráfico de influência em órgãos do governo federal, formação de quadrilha, desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro. Fernando nega as acusações. (folha online)
COMENTÁRIO: É interessante nosso mundo judicial! Respaldado em leis, cada vez mais parecidas com o interesse da classe política e, portanto, dos poderosos, o STJ alega, em sua decisão, que não havia "fundamentos" no pedido feito a Justiça para a quebra do sigilo. Daí as provas colhidas, e irrefutáveis sob o ponto de vista da realidade, serem consideradas ilegais.
"Trocando em miúdos", tudo o que a Polícia Federal constatou é a pura realidade. Os Sarney tem culpa sim! Estão errados, sim! Mas a PF atirou no que viu e acertou no que ainda não tinha visto. E a lei, tão boazinha, não admite isso.

Turma da pesada!

A que ponto chegamos! Cotado para pasta vai ao Planalto se explicar e diz não ser assassino

Por Vera Rosa, no Estadão:
Preterido na disputa pelo comando do Ministério do Turismo, o deputado Manoel Júnior (PMDB-PB) foi ontem ao Palácio do Planalto para dizer que é um político ficha-limpa. Munido do relatório da CPI dos Grupos de Extermínio, Júnior procurou o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, e jurou nunca ter mandado matar ninguém. “Isso tudo é calúnia do deputado Luiz Couto, do PT”, afirmou Júnior, numa referência a seu adversário, que foi relator da CPI de 2003 a 2005.
Depois de horas de impasse na busca de um substituto para Pedro Novais, a presidente Dilma Rousseff chegou a examinar, na quarta-feira, o nome de Júnior para o cargo. Foi informada, porém, que havia denúncias de seu envolvimento com assassinatos na Paraíba e em Pernambuco.

Ofício de Peluso a Dilma reabre a crise STF X Planalto

Uma mensagem enviada a Dilma Rousseff pelo presidente do STF, Cezar Peluso, reabriu a crise que opõe o Judiciário ao Planalto.
No texto, Peluso pede informações a Dilma sobre a inclusão no Orçamento de 2012 da verba destinada aos reajustes salariais do Judiciário. Coisa de R$ 7,7 bilhões.
Incluídos na previsão orçamentária elaborada pelo Supremo, os recursos haviam sido excluídos da proposta enviada por Dilma ao Congresso.
Peluso chiou em público. Chamou o corte de “equívoco”. Exigiu providências. Há duas semanas, em 2 de setembro, Dilma enviou ao Congresso uma mensagem.
No documento, embora criticasse a demanda do STF, Dilma informara aos congressistas sobre a cifra que o governo passara na lâmina.
No mesmo dia, Peluso dera-se por satisfeito. Classificara o entrevero de “página virada”. Para o STF, estava entendido que a verba seria restituída ao Orçamento.
Deve-se a reabertura da encrenca a declarações feitas pela ministra Miriam Belchior (Planejamento) em audiência pública no Senado.
Falando aos senadores há dois dias, na quarta (14), Miriam disse que o governo não planeja incluir na proposta de Orçamento para 2012 o reajuste do Judiciário.
Afirmou que, quando a programação orçamentária começou a ser discutida, no primeiro semestre, não havia clareza quanto à profundidade da crise.
Agora, já convencido de que o Brasil não está imune aos solavancos que sacodem a Europa e os EUA, o governo prefere não comprometer os R$ 7,7 bilhões.
Peluso enxergou nas declarações da ministra uma quebra de compromisso. Daí o ofício enviado a Dilma. É datado de ontem. Pode ser lido aqui.
Peluso recorda em seu texto a mensagem que Dilma enviara ao Congresso em 2 de setembro. E anota, respeitoso:
“Tenho a honra de solicitar a Vossa Excelência que informe a esta Corte se será, ou não, encaminhada, por essa Presidência, mensagem modificativa à de no 344/2011 [Orçamento de 2012]…”
“…[…] Para incorporar as despesas previstas pelos órgãos do Poder Judiciário da União.” Peluso não deixa dúvidas quanto ao tipo de despesa a que se refere.
Menciona especificamente a “recomposição dos subsídios dos magistrados e da remuneração dos servidores do Poder Judiciário da União.”
Cita a “criação do adicional de qualificação para os técnicos judiciários graduados.”
Dilma ainda não respondeu ao ofício do presidente do Supremo. Em privado, Peluso e seus colegas de tribunal classificam de inaceitáveis os comentários de Miriam Belchior.
Recordam que a Constituição reserva ao STF a atribuição de definir o seu próprio Orçamento. Ao Executivo não cabe senão incorporar os dados ao Orçamento geral.
Por esse raciocínio, apenas o Congresso dispõe de poderes constitucionais para modificar a proposta orçamentária definida pelo STF.
Prevalecendo o impasse, o Supremo não pretende cruzar os braços. Adotará providências jurídicas contra o governo.
Ou seja: a declaração feita por Peluso há duas semanas ganhou sentido novo. A “página foi virada”. Só que para trás.
*Por Josias de Souza, na Folha.com

Campanha: "Larga o osso Sarney"

Vamos homenagear o grande Sarney. O homem que ajudou o desenvolvimento do Maranhão, sendo seu representante político há mais de 50 anos.Temos que nos preparar, se não, não haverá homenagem
digna de tão grande personalidade...
Grande político, honesto e progressista, elevou o Maranhão ao IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do nível do Japão;
Estimulou o desenvolvimento do Maranhão e criou riquezas para todos:
Humilde e simples, até simplório, Sarney homenageou os grandes maranhenses e reconheceu sua  grandeza;
As crianças foram seu principal foco de governo.                                
Todas mereceram a devida atenção.

O  desprendimento deste homem foi uma das marcas de sua vida política.
Jamais almejou o poder pelo poder.
Apenas quis servir ao povo do Maranhão e do Brasil.

Com esse breve resumo, lançamos a campanha LARGA O OSSO Sarney!!!                                
Divulguem amplamente.
A união faz a força...

Porque hoje é sábado, uma bela mulher.

A bela atriz Fernanda Rodrigues

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Olha o apagão aí gente!

Prepare a vela e a paciência. Lá vem o apagão
Por Sílvio Ribas - Correio Braziliense:
O fim de ano se aproxima e, com ele, a estação de maior consumo de energia. Dada a fragilidade do setor elétrico no país, especialistas preveem, para os meses de dezembro a março, um recorde de interrupções no fornecimento de energia.
Falta de melhorias nas redes de distribuição expõe fragilidade do sistema elétrico e aumenta o risco de uma nova onda de cortes de energia no período do verão, quando o consumo tende a subir
A escalada de apagões, iniciada nos últimos dois anos e acelerada no mês passado, confirmará 2011 como ano recorde de interrupções no fornecimento de energia, eliminando qualquer dúvida sobre a fragilidade do setor elétrico do país.
O auge dessa crise, alertam especialistas ouvidos pelo Correio, deverá ser o próximo verão. Eles temem que as temperaturas elevadas de dezembro a março e uma forte demanda adicional por energia puxada pelo uso de aparelhos de ar-condicionado não encontrem o investimento necessário em linhas de transmissão (nacionais) e de distribuição (locais), estimado em R$ 20 bilhões. O descompasso,
acreditam, deve-se à ausência de fiscalização sobre as concessionárias. Os transtornos recentes justificam essa preocupação, embora o governo nem sequer admita o termo apagão para definir grandes blecautes, por entender que a escassez energética está superada. O fato é que sucessivas falhas na distribuição e, sobretudo, na transmissão estão deixando cada vez mais brasileiros no prejuízo. Este ano, o consumidor deverá ficar 20 horas sem luz, superando a marca de 18,82 horas de 2009 e bem acima da média histórica de 16 horas. "O que mais impressiona é que um único raio ou parafuso defeituoso pode deixar 60 milhões de pessoas no escuro por horas seguidas", diz Célio Bermann, do Instituto de Eletrotécnica e Energia (IEE) da Universidade de São Paulo (USP).

Eu voto distrital.

Golpe em hospital militar

BRASÍLIA.   Auditoria interna realizada pelo Comando do Exército identificou uma série de   irregularidades ocorridas nos últimos anos no Hospital Militar de Área de   Brasília. Entre outros problemas, a auditoria detectou casos de direcionamento   de licitação e despesas com valores superfaturados. O prejuízo calculado é de   R$3,6 milhões. A fiscalização aponta como supostos responsáveis alguns civis e   muitos militares, inclusive oficiais.
Os   fatos - "impropriedades", segundo a auditoria - ocorreram entre 2004 e 2008,   mas os envolvidos não foram responsabilizados até hoje. Essa demora gerou a   abertura de uma Tomada de Contas Especial (TCE), em 2010. Segundo o Centro de   Comunicação Social do Exército (Cecomsex), atualmente, a TCE está na fase de   "qualificação dos responsáveis e de quantificação do dano ao   erário".
A   auditoria concluiu que houve falta de uma rotina formal para aquisição de   órteses, próteses e materiais especiais; fragilidade no fornecimento de   materiais e "discrepância nos preços praticados pelas empresas fornecedoras".   Constatou ainda que houve "devassa do sigilo da proposta" de empresa   participante de licitação.
Num   documento reservado, um contador-auditor diz que os processos envolvem   possíveis prejuízos à Fazenda Nacional e pede que a auditoria seja encaminhada   à Chefia do Estado-Maior do Comando da 11ª Região Militar (de Brasília). "O   relatório de auditoria especial quantificou o dano ao Erário e qualificou os   responsáveis", diz a auditoria, que lista nome de militares   envolvidos.
O   relatório passou pelas mãos de vários oficiais. A Chefia da Seção de Auditoria   de Gestão e Fiscalização encaminhou vias da auditoria, entre outros, para o   gabinete do comandante do Exército. Dois generais - José Carlos Nader Motta,   diretor de Auditoria, e Gilberto Arantes Barbosa, secretário de Economia e   Finanças - emitiram despachos para a instalação de uma investigação via Tomada   de Contas. O general Motta deixou essa função em março deste ano.
"Tendo   em vista as peculiaridades encontradas nessa auditoria especial, que envolvem   um número expressivo de militares e servidor civil, como também o alto valor   do dano causado ao erário, proponho ao secretário de Economia a transformação   dessa auditoria em Tomada de Contas Especial", afirmou o general Nader Motta   no encaminhamento de seu despacho, atendido pelo general Barbosa.
Sobre   o ressarcimento ao Erário, o Cecomsex informou que essas providências serão   implementadas com o término da fase interna, que é a atual Tomada de Contas   Especial. "As providências de ressarcimento do dano serão implementadas com o   término da fase interna, após as concernentes notificações dos   responsáveis."
O   Cecomsex informou ainda que o processo será enviado ao Tribunal de Contas da   União, para análise e julgamento. É a fase externa, "quando será dada a   possibilidade da ampla defesa e do contraditório aos agentes públicos   responsabilizados". A investigação feita pela Tomada de Contas é na esfera   administrativa. Após esta fase, o processo completo será remetido também ao   Ministério Público Militar.
* O   GLOBO - 14/09/2011

Governabilidade não é sinônimo de lambança.

Por Reinaldo Azevedo:
O “rouba, mas faz” não é coisa nova na política brasileira.
É evidente que a síntese perversa já dava conta da nossa desdita. A conjunção adversativa “mas” indicava que, embora o “roubar” estivesse sendo incorporado aos hábitos e costumes da vida pública — o que é um desastre, é evidente —, estava em oposição ao “fazer”, que era a coisa desejável e a razão por que se elegiam os políticos.
Permanecia, ao menos, nas consciências o conceito de que “fazer” era o certo, e “roubar”, o errado.
Postos em relação transitiva, no entanto, a fórmula era uma condenação: a condição do “fazer” era o “roubar”, sem o segundo, entendia-se, não se podia realizar o primeiro.
Que país poderia ser construído tendo tal emblema como norte?
Este que vemos, em que um ministro da Educação se jacta de a nota média do Enem ter melhorado ridículos 10 pontos, embora a esmagadora maioria das escolas públicas tenha ficado abaixo de uma média que já é retrato de um vexame.
Havia quem se opusesse radicalmente àquele estado de coisas? 
Sim, as esquerdas, ambicionavam substituir o modelo cleptocrata de exclusão social por sua teoria homicida da história. Nunca foi grande ou forte o bastante para se impor, e por isso devemos ser gratos, é certo.
A redemocratização do país e a emergência do novo sindicalismo, no curso do tempo, acabaram por guindar o PT e seu chefe máximo, Luiz Inácio Lula da Silva — que, originalmente, de esquerdista não tinha nem a sabedoria nem a ignorância específicas —, ao comando das chamadas “forças populares”.
Os petistas passaram a operar em duas frentes (e há teoria política a respeito; não foi puro empirismo): nos chamados movimentos de base e no terreno institucional, onde criou um bordão: “Ética na política”.
Aéticas ou antiéticas eram todas as forças que disputavam o poder, menos uma, que se apresentava como dotada de uma razão crítica que carregava consigo a voz e a história dos oprimidos de todos os tempos. O mundo já havia conhecido, segundo a categorização marxista, o “socialismo utópico” e o “socialismo científico”. 
O PT fundava o “socialismo da reparação”.
Em Marx, o socialismo era uma desdobramento natural da história (é uma loucura, é evidente, mas é outra); no discurso petista, tornava-se uma questão de justiça.
Se o velho barbudo furunculoso fosse vivo, daria uma botinada no traseiro desses mistificadores.
Mas quê…
O PT se tornou não o ópio, que isso é coisa para humor refinado francês, mas a cachaça dos intelectuais. Marilena Chaui não conseguiu ensinar uma vírgula de filosofia aos sindicalistas, mas os sindicalistas ensinaram a Marilena Chaui como tratar a USP como um mero aparelho partidário.
O PT chegou ao poder. 
É esquerdista?
Depende do que se quer perguntar.
O partido certamente não pretende estatizar os meios de produção. Mas traz, sim, consigo aquela velha moral bolchevique, somada à amoralidade pragmática que marca o sindicalismo, que se caracteriza por justificar qualquer crime em nome da causa.
“O rouba, mas faz” envelheceu; os remanescentes daquele modelo já estão se despedindo da política.
Na nova ordem, desaparece a conjunção adversativa “mas” e a idéia de que, ao menos, há uma oposição entre uma coisa e outra; que mal e bem estão imbricados ou enlaçados numa relação de causa e efeito.
Era, reitero, uma noção perversa e que nos condenava ao atraso, mas, se querem saber, menos maléfica do que isso que se vê hoje em dia: o roubo passou a ser considerado uma espécie de pilar da democracia, de elemento constitutivo do processo. Em seu nome, constroem-se teorias políticas.
Uma palavra passou a sintetizar essa nova altitude que ganhou a safadeza: “governabilidade”.
Em nome dela, tudo passa a ser justificável. O imoral, o indecente e o indecoroso já não são mais o tributo maldito a pagar para ver a obra nascer; eles são tratados como esteios da institucionalidade.
Dá-se de barato que é preciso ceder a larápios, a chantagistas, a vigaristas para que o sistema não entre em colapso. Um jornalista brasileiro, durante o confronto democrático que opôs republicanos e democratas nos EUA por causa da ampliação do limite da dívida, ofereceu aos americanos o nosso modelo: faltaria, ele escreveu, um PMDB a Obama!!!
Na entrevista que concedeu ao Fantástico  — aquela em que pediu a Patrícia Poeta lhe mostrasse onde estava o “dá cá” que ela explicaria o “toma lá” —, Dilma Rousseff expressou essa noção com a maior tranqüilidade, como quem dissesse:
“Hoje é quinta-feira”.
Afirmou a presidente: “Eu não dei nada pra ninguém que eu não quisesse; nós montamos um governo de composição. Caso ele não seja um governo de composição, nós não conseguimos governar”.
Aí está!
A pergunta de Patrícia Poeta se referia ao “toma-lá-dá-cá”, que Dilma se dispôs a explicar — é falso que ela tenha negado a sua existência.
“Não conseguir governar” significa o quê?
Que as práticas condenáveis seriam hoje pilares das próprias instituições.
Minhas caras e meus caros, é evidente que isso é pior do que o “rouba, mas faz” porque significa a metabolização da lambança como nutriente mesmo da democracia.
E eu sou obrigado a dizer com todas as letras: “Isso é falso!”.
Estamos diante de uma apropriação perversa — que não é feita só por Dilma, não!; está no sistema — do conceito de “presidencialismo de coalizão”.
Uma coisa é constatar que, no modelo brasileiro, um partido dificilmente terá força para governar sozinho — o que não quer dizer que não possa hegemonizar o processo, como faz o PT —; outra, distinta, é atribuir a essa necessidade de composição as concessões indecorosas que são feitas.
Indago: qual é a hipótese?
Os partidos que hoje compõem a base aliada, incluindo o PT, se despediriam dos cargos e das benesses oferecidas pela máquina caso se decidisse moralizar a política pra valer?
ISSO É SIMPLESMENTE MENTIROSO.
O problema é outro: aqueles que vêm a lambança como parte do jogo não são meros teóricos do ilícito; são também beneficiários e usuários das práticas condenáveis.
Sim, eis uma contribuição genuinamente petista para o processo político brasileiro: a imoralidade como parte da estabilidade das instituições — instituições também elas aviltadas.
Sei que pouca gente dará bola à questão porque os políticos, os pensadores e boa parte da imprensa estão entorpecidos, mas a ministra Gleisi Hoffmann disse ontem uma coisa muito grave naquele seminário com título pseudo do TCU.
Chamou o RDC, o regime especial para contratar obras para a Copa do Mundo, de “lei alternativa” à Lei de Licitações.
Regime democrático com “lei alternativa”?
Definitivamente, nunca antes na história destepaiz.
Esse país não sai do lugar, não! Esse país é o do Enem que encheu de satisfação o ministro Fernando Haddad. O bom Brasil é outro.
É o da juíza Louise Vilela Figueiras Borer, que mandou parar as obras sem licitação do Aeroporto de Cumbica.
Não aceitou as justificativas para que se desse um peteleco na lei: urgência e Copa do Mundo.
Ora, Dilma foi a gerentona de um outro “governo de composição”, o de Luiz Inácio Lula da Silva.
Ambos, então, como ela reconheceu no 4º Congresso do PT, prepararam, a quatro mãos, a trágica herança na infra-estrutura: portos, aeroportos, estradas…
E o PT vem coroar, agora, a sua obra jogando no lixo a Lei de Licitações e propondo, como diria Gleisi, “leis alternativas”?
Esse roubo consegue ser pior do que o outro: é um roubo de institucionalidade.