sábado, 15 de dezembro de 2012

Diálogos contemporâneos.

 
 
Contando ninguém acredita, mas é fato, é grampo, e está nos autos. Num dos diálogos digitais de Rose Noronha e Paulo Vieira ela está muito preocupada com o mensalão se o Zé Dirceu vai ser preso. Ele a tranquiliza, assegurando que o Zé vai pegar no máximo 4 anos, e depois sua alma revolucionária se inflama: "Nós temos que ir para as ruas pela transparência da Justiça. Vamos parar o Brasil. O PT é bom nisso." Rose promete mandar um e-mail a o seu amigo PR.
 
Um pilantra indiciado por cinco crimes fala do mensalão como se fosse as Diretas Já, a campanha da anistia, ou o impeachment de Collor, e como se o PT tivesse feito tudo sozinho. Ou é de um cinismo antológico ou eles ainda vivem dos velhos mitos idealistas, das grandes mobilizações sindicais, da esperança que levava multidões às ruas por liberdade, democracia e ética na política. Seria a primeira vez na história que uma greve geral pararia um país para defender a corrupção e a impunidade.
 
Vieira e Rosemary são arquétipos de companheiros que já mentiram tanto para eles mesmos que acabaram acreditando nas velhas lorotas da honestidade inabalável do PT e seu poder de mobilizar multidões, de parar o País e, se for o caso ou a causa, até derrubar no grito um governo eleito ou um Judiciário que "traia o povo". Eles são seus próprios juizes, quem não concordar é de direita ou golpista.
 
Até o petista roxo Ricardo Kotscho, ex-porta-voz de Lula, escreveu em seu blog, avermelhando a milícia digital, que Lula e o PT têm que dizer alguma coisa sobre o "Rosegate" e que não dá mais para o partido continuar na velha tática de culpar os adversários por todos os seus erros.
 
Ou pior, se defender de qualquer acusação dizendo que os adversários já fizeram antes. E ficaram impunes.
 
Nem os militantes com pelo menos três neurônios aguentam mais isso, até o Tarso Genro já disse que é preciso mudar o disco. A quem esses "blogueiros progressistas", todos regiamente patrocinados por estatais, pensam que enganam? Estão ganhando para pregar para a convertidos.
 
PS: A carta de Luzia para a filha ainda não teve resposta. O novelista está preocupado.
 
* Nelson Motta, em O Globo em 14/12/2012

Gravações revelam como a quadrilha de Rose tentou tumultuar o julgamento do mensalão.

Documentos exclusivos mostram como turma de Rosemary Noronha e dos irmãos Vieira tentou influenciar juízes e atenuar as penas dos mensaleiros.

Às 9h47 do dia 12 de novembro deste ano, a chefe do escritório da Presidência da República em São Paulo, Rosemary Noronha, ou Rose, ligou para Paulo Vieira, diretor da Agência Nacional de Águas, espécie de operador jurídico da quadrilha descoberta pela Polícia Federal na Operação Porto Seguro.

No telefonema de 11 minutos, interceptado pela PF e a que ÉPOCA teve acesso, os dois não discutem como vender facilidades a empresários interessados em canetadas do governo – nem a distribuição do butim da quadrilha, conforme já se revelou.

Ambos discutem o julgamento do mensalão.

Naquele dia, os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), como já se esperava, viriam a definir as penas dos principais integrantes do núcleo político do mensalão:
os petistas José Dirceu, José Genoino e Delúbio Soares. Na conversa, Paulo Vieira pede a Rose que consiga o apoio de Dirceu para as articulações secretas que ele, Paulo, fazia em Brasília.

Elas tinham um objetivo claro: tumultuar o julgamento.

Ou, ao menos, impedir que os mensaleiros cumprissem suas penas.
AMIGOS Paulo Vieira e Rosemary Noronha. Eles temem pela sorte do amigo José Dirceu (Foto:  Sergio Lima/Folhapress e Jorge Araújo/Folhapress)


Capa da revista ÉPOCA - edição 761 (Foto: Reprodução/Revista ÉPOCA)
“Eu vou protocolar amanhã ou quarta aquela outra questão que eu queria que você mostrasse para o JD (José Dirceu). Você lembra qual é, né?”, diz Paulo Vieira no diálogo.

Embora ele não tenha especificado a que “questão” se referia, naquele momento integrantes da quadrilha dos pareceres – Paulo Vieira, o deputado Valdemar Costa Neto, condenado pelo mensalão, e o empresário e ex-senador Gilberto Miranda – movimentavam-se nos bastidores para pressionar os ministros do Supremo a mudar votos, aliviar nas penas ou acatar futuros recursos dos advogados dos réus.

Queriam até nomear um amigo para o STF, na vaga aberta pela aposentadoria do ministro Carlos Ayres Britto.

Contavam com a proximidade de Rose com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e com Dirceu, como demonstram as provas reunidas pela PF. Os delegados miravam na quadrilha dos pareceres. Acabaram acertando numa operação para melar o julgamento do mensalão.

Capa da edição 761 (Foto: ÉPOCA)



Na conversa, Rose sabia do que Paulo falava. Mas Paulo estava preocupado com a disposição de Dirceu em articular ao lado da quadrilha: “Não sei se o JD está com cabeça para mexer com essas coisas”. Rose o tranquiliza: “Eu vou viajar com ele (Dirceu) no feriado. Nós vamos para a Bahia. Eu converso bastante com ele. (…)Ele não pode ficar preso dentro de casa, né. A vida corre. Eu falo com ele. Eu tive com ele no feriado, eu falo com ele”. Paulo pergunta, então, como está o ânimo de Dirceu. Rose diz: “Está bastante chateado. Estão preparando umas coisas. (…) É o Gilberto Miranda que está ajudando ele. Estão fazendo várias reuniões na casa dele”. Paulo conhecia essas articulações – participava delas. “Isso eu tenho mais ou menos ideia do que eles estão falando”, diz ele. Ato contínuo, Rose conta como ficou sabendo das articulações: “Ele (Dirceu) me disse… A mulher dele (de Dirceu, Evanise Santos) disse que eles têm reunião lá na casa dele (Gilberto Miranda)”. Paulo diz: “O Gilberto Miranda é muito bem (sic) para articular, viu. (…) Eu não sabia que eles estavam apostando tantas fichas dessa questão, tá”. “Parece que tão”, diz Rose.

JANTARES Gilberto Miranda (à esq.) e Valdemar Costa Neto (ao lado). Eles fizeram reuniões para tentar adiar o cumprimento da pena de Valdemar (Foto: Dida Sampaio/Estadão Conteúdo )
JANTARES

Gilberto Miranda (à esq.) e Valdemar Costa Neto (ao lado).
Eles fizeram reuniões para tentar adiar o cumprimento da pena de Valdemar


(Foto: Dida Sampaio/Estadão Conteúdo )

Paulo sonda Rose sobre a eventual participação de Lula nas operações de bastidores para melar o julgamento.

De acordo com a PF, quando ambos falam de “Deus”, é a Lula que se referem.

Segue-se o diálogo:

– Eu não sabia que o JD (Dirceu) tava dando esse peso todo para o Giba (Gilberto Miranda), não. Mas eu continuo apostando que o melhor peso que tem é o… Deus, viu – diz Paulo.
– É, mas ele não vai fazer absolutamente nada – responde Rose.
– Você está achando que Deus não está a fim de…
– Não! Eu acho que não está a fim, não.
– É! Às vezes ele tem medo de arrumar confusão, né, Rose?

Antes que Rose explicasse a que problemas se referia, Paulo a interrompe. Diz que eles não podem “falar essas coisas por telefone”. Paulo, porém, não seguia o próprio conselho. Muito menos os demais integrantes da turma conhecida como quadrilha dos pareceres – uma turma que, agora se descobre, era bem mais influente do que se imaginava.

ÉPOCA teve acesso, com exclusividade, ao relatório que a PF preparou sobre todas as autoridades que conversavam com integrantes da quadrilha ou eram por eles citadas – aqueles que fazem jus a foro privilegiado na Justiça.

No documento de 98 páginas, há um capítulo para cada uma das 18 autoridades. Cada capítulo descreve em detalhes as circunstâncias em que elas aparecem nas investigações.

Estar no relatório, é bom deixar claro, não significa integrar a quadrilha; nem é prova de algum crime – embora, em alguns casos, como de Valdemar Costa Neto, as evidências sejam fortes.

Como essas autoridades têm o privilégio de ser investigadas e, eventualmente, julgadas nos tribunais de Brasília, os delegados da PF enviaram o relatório, na quarta-feira da semana passada, ao presidente do STF, Joaquim Barbosa, e ao procurador-geral da República, Roberto Gurgel. Caberá aos dois avaliar se há elementos suficientes para iniciar uma investigação.

Há integrantes das cúpulas dos Três Poderes no relatório. Isso demonstra o trânsito privilegiado da quadrilha em Brasília.

Há ministros do governo Dilma, como Luís Inácio Adams, da Advocacia-Geral da União, coração do esquema na capital (leia o quadro abaixo).

Há ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do STF, como Dias Toffoli, antecessor de Adams na AGU.

Há seis deputados federais, entre eles Valdemar Costa Neto, além do presidente do Senado, José Sarney.

Há, finalmente, prefeitos, como Gilberto Kassab, de São Paulo – ele pede a Gilberto Miranda, segundo a PF, ajuda para uma indicação ao STJ.



O relatório traz, em suma, um catálogo do poder. Quanto mais se aproxima do poder, mais revela a trama para salvar os mensaleiros. Os telefonemas e e-mails captados pela PF demonstram que a quadrilha se preocupava com os rumos do julgamento antes mesmo que ele começasse.

No dia 10 de junho de 2012, às 17 horas, os irmãos Paulo e Rubens Vieira, ambos indiciados pela Polícia Federal e denunciados pelo Ministério Público, conversaram por 12 minutos sobre o mensalão.

Quatro dias antes, o Supremo definira o cronograma do julgamento. Os dois tentavam antever a posição de alguns ministros no julgamento previsto para iniciar-se em agosto.

Falaram sobre as expectativas de que fossem definidas penas mínimas.

Paulo diz que seria interessante a transmissão das sessões. “Sabe por quê? Os ministros vão explodir de vaidade, moço. Se um ministro explodir de vaidade, vai brigar um com outro”, diz ele. Rubens concordou: “Vai, vai”.

Paulo afirmou: “O ideal é isso aí, porque todo mundo já sabe que o julgamento é político e que eles não vão sair de lá ilesos. Então, o negócio agora é tumultuar o processo”.

Duas horas depois, Paulo ligou para Rose. Ela contou que almoçara com Dirceu no feriado de Corpus Christi (7 de junho).

Segundo ela, Dirceu fizera uma previsão de ser condenado a quatro anos de prisão. “Ele (Dirceu) está mais aliviado que marcou. Agora, tem uma conversa que foi à revelia, sem o cara saber, que o Toffoli não sabia, tava inclusive voando para São Paulo e a Ivanise (Evanise Santos, a mulher de Dirceu) viu ele no avião, no horário da reunião”, diz Rose.

Trata-se da reunião administrativa entre os ministros do STF, em que se definiu que o julgamento aconteceria no segundo semestre.

Apesar da narrativa de Rose, Toffoli fora avisado da reunião pelo então presidente da corte, ministro Carlos Ayres Britto. Não compareceu.

a mensagem investigação 761 (Foto: reprodução Revista Época)

As primeiras semanas do julgamento, entre agosto e setembro, mostraram quão equivocada era a relativa confiança da quadrilha de que Dirceu e Valdemar se safariam.

Naquele momento, as condenações sucediam-se diariamente. Estava evidente que os principais réus, aqueles de quem Paulo e seus comparsas dependiam politicamente, seriam condenados.

Paulo resolveu, então, “cuidar da parte política”. O primeiro alvo, segundo as gravações, foi o ministro Dias Toffoli. Na noite de 27 de setembro, a PF interceptou um e-mail entre
carla.margarida@bol.com.br e guatapara.sp@bol.com.br.

Os dois endereços eletrônicos eram usados por Paulo para se comunicar com diferentes advogados próximos à quadrilha.

A PF não conseguiu identificar a quem Paulo se dirigiu ao escrever o e-mail. Na mensagem – Assunto: “Urgente”–, discutiu-se o julgamento do mensalão e o caso de Valdemar.

De acordo com o texto, Valdemar, já condenado pelo crimes de lavagem e corrupção passiva, precisaria de quatro votos favoráveis na acusação de formação de quadrilha.

Isso abriria espaço para recurso.

“Gostaria de conseguir o voto do ministro Toffoli, pois assim conseguimos completar, pois o Marco Aurélio irá votar a favor dele”, diz o texto.

Toffoli seria o primeiro a votar na sessão seguinte. O e-mail se encerra com um apelo: “É uma questão de vida ou morte, minha irmã (…) Fale que ele já ajudou muito um familiar seu, que você ama muito”.

Não se sabe se o e-mail foi endereçado a uma advogada ou a Rose.

O voto de Toffoli, naquele momento, não era óbvio. Lewandowski, com quem Toffoli sempre votava, condenara Valdemar nesse crime. Toffoli votou por sua absolvição do crime de formação de quadrilha. Fez o mesmo em relação aos demais réus do núcleo político.

Valdemar, ao fim, pegou sete anos e dez meses de pena – condenação que o livra, por pouco, da cadeia. Não há evidência no relatório de que o “trabalho político” de Paulo tenha tido qualquer influência na decisão de Toffoli.

Caberá a Gurgel decidir se é o caso de investigar o assunto.

Procurado por ÉPOCA, Toffoli afirmou que não tem conhecimento dos diálogos da Operação Porto Seguro e que não tem “relacionamento” com Paulo Vieira.

Ele afirmou que “conhece Rosemary Nóvoa de Noronha e Evanise Santos, sendo que ambas trabalharam na Presidência da República”, onde Toffoli também trabalhou no primeiro mandato de Lula.

Quanto às menções ao julgamento do mensalão, Toffoli afirmou que recebeu os advogados de defesa dos réus para entrega de memoriais, incluindo o advogado Marcelo Bessa, defensor de Valdemar.

“Tal fato é da rotina do julgamento de qualquer processo”, disse.

No início de novembro, quando os ministros terminavam de definir as penas dos réus já condenados, a quadrilha entrou em pânico.

E bolou novas formas de livrar os mensaleiros.

Paulo e Valdemar, que trocaram ao menos 38 telefonemas e se encontraram múltiplas vezes no curso do julgamento, eram os mais preocupados.

É nesse momento que foi acionado o empresário Gilberto Miranda. Segundo a PF, ele patrocinava as propinas do grupo e usava a influência que detinha junto aos senadores do PMDB para fazer negócios no governo – e tentar ajudar os mensaleiros.
No dia 1º de novembro, Miranda entrou em ação. Receberia Sarney para um jantar em sua casa, de modo, segundo Miranda, a conversar sobre a defesa dos mensaleiros – e, segundo Paulo, a “segurar” o julgamento.

No final da tarde, Sarney ligou para Miranda e confirmou presença no jantar.

Naqueles dias, Miranda trabalhava para que o jurista Saulo Ramos apresentasse recursos no processo do mensalão.

A atuação de Ramos, segundo Miranda, poderia “segurar em três anos” a execução da pena de Valdemar.
Por meio de sua assessoria, o senador José Sarney afirmou que não conversou com Valdemar Costa Neto nem atuou para que o amigo Saulo Ramos entrasse em sua defesa.

“O jantar foi rotineiro encontro social entre amigos. Saulo e Gilberto são amigos de muitos anos do presidente Sarney. Vez por outra jantam juntos. O presidente Sarney não faz gestões para que Saulo Ramos atue em defesa de ninguém.”

Valdemar diz que conversou com Sarney sobre a contratação de Ramos – mas que, até agora, nada prosperou. Ramos não confirma ter ido a um jantar com Sarney e Miranda, embora admita ser “íntimo” de ambos.
Nos momentos finais do julgamento, a quadrilha tornou-se agressiva nos comentários – e nas ofensivas aos ministros.

Num diálogo de 4 de novembro, Miranda afirma, sobre os ministros Ricardo Lewandowski e Joaquim Barbosa:
“Lewandowski é muito fraco, é uma porcaria, ficou atabalhoado, e aquele ‘crioulo’ (sic) ficou citando página tal, página tal, que não tem nada a ver”.

No dia 22 de novembro, pouco antes de a Operação Porto Seguro ser deflagrada, os diálogos revelam a tentativa da quadrilha de influenciar o voto de Lewandowski sobre Valdemar.

Paulo Vieira chama essa tentativa de “missão São Bernardo”, referência à região de origem de Lewandowski e às boas relações entre as famílias dele e de Luiz Marinho, atual prefeito da cidade paulista.

Nos telefonemas, Paulo orienta Valdemar a pedir ajuda a Marinho e diz como ele deveria conversar com Marinho: “É que o senhor precisa de uma força. Ele (Marinho)…com uma palavra resolve isso aí. As famílias são próximas, entendeu?”.

Quatro dias depois, Lewandowski daria seu voto em relação à aplicação da pena a Valdemar, já condenado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Quase três horas depois dessa conversa, Valdemar liga para Paulo Vieira, a fim de contar como foi a reunião com Luiz Marinho. Diz que ele (Marinho) já havia entrado em contato com o cara (Lewandowski). “Já mandou levar...porque não dá tempo, né, Paulo? É segunda-feira”, afirma Valdemar. “Já mandou levar o memorial lá, já falou com o cara, que trabalha..que o cara nomeou um lá. Ele mandou por torpedo. Aí o cara eu já mandei, falei que vai o Fabeti. Eu liguei pra Fabeti pra levar o material na mão dele (…) Você tinha razão.”
A PF grafou equivocadamente o nome do advogado Rafael Favetti, que integra a equipe jurídica de defesa de Valdemar no processo do mensalão. Procurado por ÉPOCA, Favetti afirma ter sido orientado por Valdemar a procurar o ministro Lewandowski no dia seguinte.

“Entreguei o memorial a um assessor do ministro Lewandowski. Mas entreguei o memorial a outros ministros também”, disse Favetti. Lewandowski nega ter sido procurado por Marinho, embora o conheça. “Fui rigoroso no julgamento com o deputado Valdemar. Se havia alguma articulação, o tiro saiu pela culatra”, afirmou.

Lewandowski condenou Valdemar a sete anos e dez meses pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Foi seguido pela maioria dos ministros. Apesar da clareza dos diálogos, Valdemar e Marinho negam ter conversado sobre o mensalão no encontro.
A ousadia dos mensaleiros também veio a público na terça-feira da semana passada, quando o jornal O Estado de S. Paulo publicou detalhes do depoimento que o operador do esquema, Marcos Valério, deu à Procuradoria-Geral da República (PGR) no dia 24 de setembro.

Nele, Valério incrimina o ex-presidente Lula. Diz, entre outras coisas, que Lula deu um “ok” para a liberação do dinheiro do mensalão – e que pagou suas despesas pessoais. Lula e os demais envolvidos negaram com veemência as acusações de Valério.
Nos últimos dois meses, ÉPOCA investigou, com seis pessoas próximas ao caso e a Valério, os bastidores desse movimento desesperado. Valério decidiu entregar à PGR o que dizia saber sobre Lula não para tentar diminuir sua pena no mensalão, mas nos demais processos que ainda enfrenta por causa do esquema. E também, ao menos na avaliação de Gurgel, para tumultuar o andamento do julgamento do mensalão.

Há três semanas, Valério prestou novo depoimento ao MP, contando mais detalhes e apresentando mais provas do que disse. Gurgel, porém, ainda acha inconsistentes tanto a versão narrada por Valério quanto as (poucas) provas apresentadas até agora por ele. A cautela de Gurgel, aparentemente, tem razão de ser.

A dois amigos, Valério disse que não entregou tudo o que tem ao MP. “Eu morro se fizer isso”, disse a eles. Valério também disse a Gurgel que morreria se contasse tudo. “Acho que ele quer apenas tumultuar o julgamento”, disse Gurgel a colegas. Não é o único.


PALESTRAS O advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, e seu ex-adjunto, José Weber Holanda. Adams não vê conflito de interesses em dar conferências em escritórios de advocacia (Foto: Andre Dusek/Estadão Conteúdo e Paulo de Araújo/CB/D.A Press )



*Textos: DIEGO ESCOSTEGUY, COM MARCELO ROCHA, MURILO RAMOS, FLÁVIA TAVARES E LEANDRO LOYOLA
-Trecho da reportagem de capa de ÉPOCA deste fim de semana 

Marcos Valério afirma que entregou provas contra Lula.

 
O empresário Marcos Valério Fernandes de Souza disse à Folha de São Paulo que entregou ao Ministério Público Federal documentos comprovando acusações feitas em seu novo depoimento, que envolvem o ex-presidente Lula no escândalo.
Em resposta aos que desqualificam suas acusações, Valério afirmou que os documentos foram entregues em setembro, quando falou à Procuradoria. Numa breve declaração, queixou-se: "Os procuradores não tocaram nos papéis que deixei lá".
*Leia mais em folhaonline

Porque hoje é Sábado, uma bela mulher.

A bela atriz Dani Moreno

Querem roubar até a verdade.

 
PORQUE MARCOS VALÉRIO É "DESQUALIFICADO"?
 
O que mais surpreende no vídeo de Rui Falcão é vê-lo e ouvi-lo a desqualificar Marcos Valério porque um homem condenado pelo...
Supremo. É mesmo? José Dirceu é o quê? E José Genoino? E Delúbio Soares? E João Paulo Cunha? Ah, esses, nós aprendemos com o partido, são heróis. Segundo o chefão do PT, Valério não merece crédito, então, porque condenado num julgamento que o próprio partido não reconhece nem como justo nem como legítimo.

Assim, o tribunal que condena Valério desqualifica o publicitário para fazer qualquer outra acusação; já o tribunal que condena Dirceu SE desqualifica!!! Entenderam a lógica do bruto? Voltamos àquela que é uma máxima do partido: seus adversários são sempre culpados, mesmo quando inocentes, e seus aliados são sempre inocentes, mesmo quando culpados. Trata-se de um absoluto disparate.

(Reinaldo Azevedo)

Mais um.

Marcos Valério e Cachoeira é pouco? Vem aí Vieira, mais um quadrilheiro contra o PT.

Apontado pela Polícia Federal como chefe da máfia dos pareceres, o ex-diretor da Agência Nacional de Águas (ANA) Paulo Rodrigues Vieira quer agora negociar uma delação premiada com o Ministério Público. Vieira ameaça contar detalhes do esquema e envolver novos personagens no escândalo revelado pela Operação Porto Seguro, que também derrubou a então chefe de gabinete da Presidência em São Paulo, Rosemary Noronha.
 
Em conversas reservadas, o ex-diretor da ANA disse que não sairá do caso como chefe de quadrilha e promete denunciar gente “mais graúda”. Com isso, ele espera obter do Ministério Público um tratamento menos severo e empurrar para outros a posição de comando do grupo, que praticava tráfico de influência nos bastidores do poder. Na prática, quer algum benefício legal no futuro, como a redução de pena, caso seja condenado.
 
Vieira trocou o advogado Pierpaolo Bottini pelo defensor Michel Darre, no intuito de apresentar uma estratégia mais agressiva de defesa. Bottini afirmou que deixou o caso por motivos pessoais. Darre, por sua vez, disse que ainda está estudando o processo.“Há muita coisa a ser levantada e eu pedi a meu cliente para ter paciência”, comentou o advogado. “Entrei no processo para verificar qual a melhor medida a ser tomada.”
 
O ex-diretor da ANA foi indiciado pela Polícia Federal por crimes de corrupção ativa, falsidade ideológica, falsificação de documento particular e formação de quadrilha. Ele e seu irmão Rubens deixaram a prisão no último dia 30, beneficiados por habeas corpus. Rubens era diretor da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e atuava como consultor jurídico do grupo, que tinha ramificações na Advocacia-Geral da União (AGU) e em várias repartições públicas, para venda de pareceres fraudulentos a empresários. Um dos “clientes” era o ex-senador Gilberto Miranda (PMDB).
 
A Polícia Federal suspeita agora que Rosemary Noronha, também indiciada, e os irmãos Vieira tenham praticado lavagem de dinheiro para ocultar bens adquiridos de forma ilícita. Rose foi nomeada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva - de quem é muito próxima desde os anos 90 - e conseguiu com ele a indicação de Paulo e Rubens para as agências reguladoras.
 
Em e-mails trocados com Paulo, Rose se referia a Lula como “PR” e pedia dinheiro. Nessas mensagens, expressões cifradas como “livros”, “exemplares” e “volume” eram usadas para designar verba. Investigações da PF mostram que a máfia dos pareceres financiou para Rose um cruzeiro (R$ 2,5 mil), uma cirurgia no ouvido (R$ 7,5 mil), um Pajero (R$ 55 mil), móveis para a filha (R$ 5 mil) e o pagamento da dívida de um carro de seu irmão (R$ 2,3 mil), além de outras despesas.
 
Gilberto Miranda entrou no esquema para conseguir vantagens e aumentar o lucro de seus negócios. O ex-senador se beneficiou da compra de pareceres para a ocupação de duas ilhas: a de Bagres, em Santos, e a de Cabras, em Ilhabela, onde construiu uma mansão. Foi na ilha de Bagres, área de proteção permanente, que Miranda obteve aprovação de um projeto para a construção de um complexo portuário, em 2013, no valor de R$ 2 bilhões.
 
A presidente Dilma Rousseff está preocupada com os desdobramentos do caso, que também derrubou José Weber Holanda, até então braço direito do advogado-geral da União, Luís Inácio Adams. Weber atuava com Paulo para ajudar Miranda. Antes de anunciar o pacote dos portos, na semana passada, Dilma convocou uma força-tarefa para fazer um pente-fino nas medidas e evitar surpresas. Até a crise, Adams era cotado para ocupar uma vaga no Supremo Tribunal Federal. Hoje, está desgastado.
 
Na Esplanada, ministros temem que a análise de computadores apreendidos no escritório da Presidência, em São Paulo, envolva novas repartições no escândalo. Depois do depoimento do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza à Procuradoria-Geral da República, apontando o dedo para Lula no mensalão, sem provas, petistas estão apreensivos com a escalada de denúncias.(Estadão)

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

A caravana da mentira.

O falastrão quer montar a nova "caravana da mentira"
Em meio a uma série e acusações que lhe são feitas pelo empresário Marcos Valério. Luiz Inácio não encontra argumentos para sua defesa.
Os indícios são tantos e tantas são as "coincidências" e participação de seus asseclas, seguidores e prepostos, que a ele restou o projeto de, mais uma vez, sair pelo país e destilar seu populismo de quinta e tentar ludibriar a população que ainda crê que ele tenha realizado alguma coisa, como Presidente da República.
Falastrão, como sempre, tentará desviar a atenção das investigações que, inevitávelmente, o Ministério Público Federal fará contra ele.
Consta que para enfrentar os escândalos dos últimos meses, Lula teria confessado a amigos que sua ação de defesa deverá ser elaborada e dar-se-á incício entre Fevereiro e Março de 2013 quando organizará caravanas pelo país, a exemplo do que fez quando candidato.
Luiz Inácio crê que conversando diretamente com o povo poderá convencer, aos mais incautos, de que nada tem a ver com os fatos. "De que nada sabia" e de que fora "apunhalado pelas costas".
O sinal de que a situação é deveras crítica surgiu a partir do último escândalo envolvendo Lula, o da Operação Porto Seguro, que indiciou Rosemary Noronha, ex-funcionária da Presidência da República em São Paulo e tão próxima ao ex-presidente que ninguém, de são consciência, consegue negar que a relação era considerada íntima.
Este episódio e ao julgamento do mensalão, que provoca sério desgaste a Lula e ao PT, e, agora, a seus desdobramentos, como o novo depoimento de Marcos Valério — ele sustenta, segundo o jornal “O Estado de S. Paulo”, que Lula sabia do esquema e teve contas pessoais pagas por ele, torna a situação do ex presidente muito complicada.
Daí sua assessoria tenta blindá-lo, orienta-o a calar ( algo difícil para um falastrão ) e ele cala, inerte, no silêncio dos culpados, como se quizesse " dar tempo ao tempo" já que na concepção dos bons entendedores da política "o povo tem memória curta". 

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Olha a grana aí, Rose!

Rose do Lula comprou imóvel em dinheiro vivo, levado em sacos de supermercado

Rosemary Noronha pagou com dinheiro vivo a maior parte do valor do apartamento em que ela vive na Bela Vista, em São Paulo, segundo a escritura lavrada no 22º Tabelião de Notas de São Paulo. O valor declarado do imóvel foi de R$ 250 mil, dos quais R$ 211 mil foram pagos em espécie. A escritura foi lavrada em 11 de junho de 2010.

Rose carregou o dinheiro para quitar o negócio em sacos de supermercado, segundo uma pessoa que participou da transação e fez o relato sob a condição de que seu nome não fosse revelado. O apartamento, uma cobertura, fica em frente ao Hospital Alemão Oswaldo Cruz, a pouco mais de uma quadra da av. Paulista. O imóvel tem 105,54 m² de área útil e fica no mesmo edifício em que Rose já tinha um outro apartamento, transferido em 2003 por R$ 120 mil.
Na época da aquisição da cobertura Rose já era chefe de gabinete da Presidência em São Paulo e tinha estreita relação com os irmãos Paulo e Rubens Vieira. Na escritura, ela se diz assessora parlamentar. A cobertura é o terceiro imóvel comprado por Rose desde 2008, conforme certidões obtidas pelaFolha.Os demais são um apartamento de R$ 90 mil em Santos (SP) e outro imóvel na Mooca, zona leste de São Paulo, no valor de R$ 155 mil.
Um dos desdobramentos da Operação Porto Seguro, que indiciou Rose sob a suspeita de corrupção e formação de quadrilha, será a investigação de eventual lavagem de dinheiro obtido com supostos esquemas de corrupção. Mas, como os imóveis estão em nome dela, esse crime não ficaria configurado. O pecuarista Amilcar Rodrigues Gameiro, que vendeu o apartamento a Rose em 2010, disse não se lembrar se o imóvel foi pago em espécie porque a negociação foi feita por um procurador. O advogado Celso Vilardi diz que Rose declarou a compra à Receita: "Isso prova que ela tinha capacidade financeira para fazer a aquisição. Não há nenhuma irregularidade na compra desse imóvel".(Folha de São Paulo)

Imprensa é mantida longe de Lula.

 
A assessoria de Luis Inácio Lula da Silva não tem medido esforços para manter a imprensa distante do ex-presidente. Longe do Brasil, Lula está na Europa desde que Rosemary Noronha, ex-chefe do escritório da Presidência da República em São Paulo, mulher de confiança do ex-presidente, foi indiciada por corrupção, tráfico de influência, falsidade ideológica e formação de quadrilha.

As medidas de isolamento — lembram um bizarro cordão sanitário com seguranças nervosos — aumentaram desde terça-feira, 11 de dezembro, quando O Estado de São Paulo revelou detalhes do depoimento do publicitário Marcos Valério à Procuradoria Geral da República.

O operador do mensalão e condenado pelo Supremo Tribunal Federal a mais de 40 anos de prisão, declarou que o dinheiro do esquema – que comprou voto de parlamentares do Congresso Nacional entre 2003 e 2005 – também serviu para pagar “despesar pessoais” do ex-presidente e que Lula deu “ok” para os empréstimos com os bancos BMG e Rural que viriam a irrigar o esquema.

O empresário mineiro afirmou também que foi ameaçado de morte por Paulo Okamotto, o presidente do Instituto Lula que junto com a Fundação Jean Jaurés co-organizou em Paris, o Fórum do Progresso Social. Lula foi convidado de honra do evento com lugar de destaque na abertura e encerramento, quando discursou.

Até que detalhes do depoimento de Valério tornarem-se públicas, as poltronas para os jornalistas eram próximas do palco. Desde então, o lugar reservado a imprensa passou a ser uma área vigiada por seguranças, no fundo do auditório.

Lula fez um discurso a seu estilo, no qual os ingrediente demagógicos são conhecidos de cor nos mais fundos rincões do Brasil. O show ainda é novidade em Paris.

Divertiu a platéia com tiradas jocosas e chegou arrancar aplausos quando disse que não entendia por que a ONU de 1948 conseguiu criar o Estado de Israel e a ONU de 2012 não consegue proclamar o Estado Palestino. Jactou-se ao relatar que rodou o mundo inteiro.

“Fui até no Timor Leste, embora sem saber bem o que fazer lá”, confessou.

Lula continua orador verboso sobre suas histórias. A novidade agora é dizer que seu “câncer não foi 100% curado” o obriga tomar mais água, senha para o amigo Paulo Okamotto subir ao palco com uma garrafinha de mineral.

No que diz respeito as acusação de Marcos Valério, o ex-presidente continua lacônico. Terminada a fala que durou uma hora e 20 minutos, driblou a imprensa cercada por seguranças, e saiu pelos fundos.

Antes de voltar para São Paulo, na sexta-feira, 13 de dezembro, Lula fará escala em Barcelona. “Coisa rápida”, diz o assessor José Crispiano que se joga em último recurso, de corpo e alma, entre os jornalistas e seu chefe. Isso nos momentos em que, aparentemente, se considera a Cruz Vermelha – pelos modos gentis, está mais para a Sétima de Cavalaria.

Na capital da Catalunha, o ex-presidente receberá o 24º Prêmio Internacional do governo autônomo espanhol que recentemente se declarou falido. Lula irá recolher 80 mil euros e uma escultura de Antoni Tàpies. Um jornalista telefonou para saber qual era a agenda do ex-presidente na segunda maior cidade do reino de Juan Carlos.

Foi informado que a assessoria de Lula havia dado instruções que agenda do ex-presidente era fechada. Sabe-se lá o que isso quer dizer.
 

Lingua nos dentes.

 

Ás do volante na ultrapassagem de obstáculos, o ex-presidente Luiz Inácio da Silva agora está diante de um quase intransponível: a abertura de inquérito policial para investigar as denúncias feitas por Marcos Valério Fernandes de Souza à Procuradoria-Geral da República, apontando Lula como ator principal do mensalão.

Se o operador do esquema disse a verdade ou se mentiu não é algo que possa ser revolvido com negativas, tentativas de desacreditar o acusador ou acusações sobre conspirações de natureza política.

Inclusive porque a história está muito mais "amarrada" do que deixam transparecer o Ministério Público e o Supremo Tribunal Federal. Roberto Gurgel tomou outro depoimento de Marcos Valério além daquele revelado ontem pelo Estado.

No curso do julgamento, o STF fez reuniões administrativas ainda sob a presidência de Carlos Ayres Britto para tratar do assunto.

Ficou acertado o início do processo de negociação da delação premiada, mas mantido em sigilo para impedir que novos fatos interferissem no julgamento em curso e que agora está na fase de conclusão.

A depender da qualidade das informações que venha a fornecer, Marcos Valério terá benefícios nos processos relativos ao mensalão em tramitação na primeira instância e em novos que venham a ser abertos.

Mas é possível que obtenha do relator Joaquim Barbosa um regime especial de prisão (cela isolada ou na companhia de preso com curso superior, acesso facilitado a visitas, direito a livros e televisão) na hora da definição da execução da pena.

Não por acaso esse assunto foi ventilado há poucos dias no STF. A forma de cumprimento das sentenças ficará a cargo de Barbosa e não de juiz de vara de execuções.

Embora Valério não seja visto como testemunha confiável, seu melhor ou pior destino está atrelado às provas que possa apresentar. Ele mentiu muito, prometeu demais, entregou quase nada e agora sua única chance de salvar em parte a pele é falar a verdade.

Por que não falou antes? Primeiro porque o advogado dele era contra o recurso da delação e, segundo, porque percebeu tarde que a rede de proteção prometida pelo PT não existia.

Condenado a 40 anos e com a perspectiva de passar o resto da vida na cadeia devido aos outros processos, a única opção era tentar reduzir os danos. Como o mensalão propriamente dito já estava desvendado, de novidade relevante só o papel de Lula.

Agora o Ministério Público tem dois caminhos: arquivar o caso ou pedir ao Supremo que determine abertura de investigação.

Para arquivar, no entanto, é preciso que não reste dúvida sobre a existência de indícios de que houve crime. E os vestígios estão presentes em pelo menos um dos episódios narrados por Marcos Valério.

É o caso do depósito de "cerca de R$ 100 mil" na conta da empresa Caso, segundo Valério, para pagar despesas pessoais do então presidente da República.

Na quebra de sigilo ordenada pela CPI dos Correios, em 2005, aparece o registro de R$ 98.500 depositados na firma de propriedade de Freud Godoy assessor direto de Lula, coordenador de segurança de suas quatro campanhas presidenciais e até 2006 com sala no Palácio do Planalto.

Um personagem complicado, obrigado a se demitir quando foi apontado por um dos "aloprados" presos com dinheiro para compra de dossiê contra adversários políticos como o mandante do negócio.

Esse e outros relatos de Marcos Valério por si acionam os botões da engrenagem investigativa que, como uma máquina quando ligada, funciona à revelia das vontades.

Lula poderá de novo alegar que não sabia de nada?

Poderá, mas desta vez há personagens notórios demais, detalhes verossímeis demais e um arsenal imponderável demais nas mãos de um homem que, além de não ter nada a perder, não esquece os maus bocados vividos em experiência traumática na cadeia.
* Dora Kramer, no O Estado de S.Paulo

Jilmar Tatto no seu picadeiro favorito.

 
Comissão mista barrou convocação de Adams, Gleisi e Rosemary

Em ação articulada, a base aliada conseguiu adiar nesta quarta-feira a votação, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, para convocar o publicitário Marcos Valério para prestar esclarecimentos sobre as acusações feitas, em depoimento à PGR, de que o ex-presidente Lula deu aval para o esquema de desvio de recursos públicos para financiar o PT e comprar apoio no Congresso.

Mais tarde, na Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência, parlamentares da base também evitaram a convocação dos ministros da Advocacia-Geral da União, Luís Inácio Adams, e da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, além do convite à ex-chefe de gabinete da Presidência da República em São Paulo, Rosemary Noronha, derrotando requerimentos apresentados pela oposição.

Ao mesmo tempo, conseguiram aprovar convite para ouvir o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o atual procurador-geral da República, Roberto Gurgel.

- Se eles querem guerra, vão ter! É a primeira vez que participo desta comissão e gostei - afirmou o líder do PT na Câmara, Jilmar Tatto (SP), autor do requerimento de convite relativo ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Em seu requerimento, Tatto usou como argumento para chamar o ex-presidente tucano para esclarecer dúvidas em relação à chamada Lista de Furnas. Segundo o líder petista, a lista traz nomes de pessoas ligadas ao governo tucano que teriam recebido recursos ilegais.

- É o esquema de financiamento de campanha do PSDB. Recursos para a campanha presidencial do Fernando Henrique em 1998. Sempre dizem que a lista é falsa, mas um perito analisou recentemente e disse que é verdadeira. Essa comissão serve para pensar para o futuro. Nada melhor do que convidar o presidente para explicar os fatos, a influência do ex-presidente sobre Furnas e Eletrobrás, como se deu essa relação e evitar que isso volte a acontecer no Brasil - justificou Tatto.

Como são convites e não convocações, nem Fernando Henrique, nem Gurgel precisam comparecer. No caso de Gurgel, o autor foi o presidente da Comissão de Mista de Inteligência, Fernando Collor (PTB-AL), que tentou a convocação na CPI do Cachoeira e não conseguiu. Collor defendeu o convite argumentando que Gurgel poderá explicar melhor à comissão como é a interação entre o Ministério Público e a Policia Federal e citou operações recentes como a Vegas e Monte Carlo.

*Por Ricardo Noblat,Fernanda Krakovics e Isabel Braga em O Globo

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Porque pagou?

Como entender essa gente, que PAGA pela defesa de Marcos Valério e agora diz que ele é mentiroso.
Pergunto: Porque Pagou?

O "garganta profunda" do PT.

Carlinhos Cachoeira: ‘Sou o Garganta Profunda do PT’
Ao deixar a prisão, bicheiro disse que revelará tudo o que sabe.
Mais tarde, advogado atribuiu fala ao "calor do momento"
Por : Laryssa Borges, de Brasília
 (Ricardo Rafael/O Popular/ Futura Press)
O bicheiro Carlinhos Cachoeira, entre idas e vindas na prisão.
O contraventor Carlinhos Cachoeira deu a entender nesta terça-feira, ao deixar a prisão, que pretende fazer revelações que podem comprometer o PT.

“Sou o Garganta Profunda do PT”, disse o bicheiro
ao ser libertado do Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia, onde estava preso desde sábado.

De acordo com o jornal O Popular, Cachoeira prometeu revelar, nesta quarta, tudo o que sabe. Não é a primeira vez que ele faz a ameaça. Até agora, no entanto, o contraventor nada disse.

Procurado pela reportagem do site de VEJA, Nabor Bulhões, advogado de Cachoeira, negou que o cliente esteja disposto a fazer revelações e atribuiu a declaração do bicheiro à “emoção do momento”.

Carlinhos Cachoeira foi libertado depois de ter um habeas corpus concedido pelo desembargador Tourinho Neto, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, na tarde desta terça.

Garganta profunda - O termo utilizado por Cachoeira para insinuar que tem informações desabonadoras sobre o PT remete a um dos maiores escândalos políticos dos Estados Unidos.

Garganta Profunda era o codinome usado por uma fonte que ajudou os jornalistas Bob Woodward e Carl Bernstein, do jornal Washington Post, a revelar o escândalo Watergate nos anos 1970, um esquema de operações ilegais de espionagem contra adversários políticos do então presidente Richard Nixon.

A série de reportagens alimentada pelas informações dele levou à renúncia de Nixon.

A verdadeira identidade do Garganta Profunda permaneceu em segredo até 2005, quando um ex-vice-diretor do FBI, William Mark Felt, admitiu ter sido a fonte de Woodward e Bernstein.

É hoje!


O PT na Argentina...


...com o Jornal à mão, propus-me a divulgar a coluna de autoria do Doutor Carlos Alberto Di Franco, (*) esta com a qual você nos brinda, na íntegra. Muito grato.
Na mesma edição, leio que “Em discurso, Cristina ataca a Justiça Argentina....defende a democratização do Judiciário e o respeito à vontade popular” Ela e sua “base aliada” impuseram a “lei de mídia” que o Judiciário impediu de viger porque inconstitucional, a ponto de comandar que "a Igreja Católica será a única entidade religiosa que tem direito a canais de TV e estações de radio sem necessidade de autorização prévia ou licitações” (artigo 37).
Essa lei determina ainda que o Grupo Clarin, que divulga as canalhices do desgoverno argentino, (como a manipulação dos índices de inflação) seja compelido a vender empresas de sua propriedade que atuam no setor de jornalismo escrito, impresso e televisado.
É como se o p.t. abrisse filial na Argentina e seu presidente, rui falcão, fosse seu Ministro das Comunicações. Tentaria realizar seu sonho de “amordaçar” a Imprensa Livre Investigativa do Brasil, a que divulga o “mensalão”, o esquema de corrupção ”porto seguro”, por exemplos.
Peronismo e petismo são idênticos quando se trata de tentativa de imposição de demagogia populista.
Saudações,
Aderbal Bacchi Bergo
Magistrado aposentado
Contribuinte indignado
OAB / SP 47093
*Recebido por e-mail, via Grupo Resistência Democrática.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Porque o canalha só falou agora?

Segundo jornal, empresário disse ao MP que fez depósitos para empresa do ex-assessor da Presidência, Freud Godoy.
Lula teria avalizado empréstimos do PT.
Lula e Valério: novas revelações complicam ainda mais o ex-presidente.
(Juliana Knobbel/Frame/Folhapress e Cristiano Mariz)
O empresário Marcos Valério, o operador financeiro do mensalão, afirmou em depoimento prestado à Procuradoria-Geral da República em 24 de setembro que dinheiro do esquema foi utilizado em 2003 para pagar despesas pessoais do então presidente Lula.

A revelação aparece em reportagem publicada nesta terça-feira pelo jornal O Estado de S. Paulo.

O depoimento foi dado após Valério ter sido condenado a mais de 40 anos de prisão pelo Supremo Tribunal Federal (STF)
 
Segundo o jornal, Valério disse que os valores foram depositados na conta da empresa do ex-assessor da Presidência, Freud Godoy, conhecido como o "faz-tudo" de Lula na época – e ligado ao escândalo dos aloprados.

O empresário declarou ainda que o ex-presidente deu "ok" para o PT tomar empréstimos com os bancos BMG e Rural para pagar deputados da base aliada.

O aval teria sido dado em um reunião no Palácio do Planalto, que teve a presença do ex-ministro
José Dirceu e do ex-tesoureiro do partido, Delúbio Soares, ambos também condenados pelo STF.

Na ocasião, Dirceu teria dito que Delúbio negociava em seu nome e no de Lula – o ex-ministro teria autorizado inicialmente pegar um empréstimo de 10 milhões de reais e, depois, mais 12 milhões.

Além disso, conforme a reportagem do jornal, Marcos Valério também afirma no depoimento que Lula e o ex-ministro da Fazenda, Antonio Palocci, negociaram com a Portugal Telecom no Palácio do Planalto o repasse de 7 milhões de reais para o PT – dinheiro que, segundo Valério, foi recebido por suas empresas de publicidade.

Ele afirma ainda no relato ao Ministério Público que Paulo Okamotto, atual diretor do Instituto Lula e amigo próximo do ex-presidente, o ameaçou de morte pouco depois do escândalo do mensalão ter sido revelado pelo presidente do PTB, Roberto Jefferson, em 2005.

Segundo Valério, Okamotto o procurou por ordem de Lula.

Segredos
– Com a certeza de que iria para a cadeia, o empresário mineiro começou a revelar os segredos do mensalão em meados de setembro, como revelou VEJA.

Em troca de seu silêncio, Valério disse que recebeu garantias do PT de que sua punição seria amena.

Já sabendo que isso não se confirmaria no Supremo – que o condenou a mais de 40 anos por formação de quadrilha, corrupção ativa, peculato e lavagem de dinheiro – e, afirmando temer por sua vida, ele declarou a interlocutores que Lula "comandava tudo" e era "o chefe" do esquema.
Pouco depois, o operador financeiro do mensalão enviou, por meio de seus advogados, um fax ao STF declarando que estava disposto a contar tudo o que sabe.

No início de novembro, nova
reportagem de VEJA mostrou que o empresário depôs à Procuradoria-Geral da República na tentativa de obter um acordo de delação premiada – um instrumento pelo qual o envolvido em um crime presta informações sobre ele, em troca de benefícios.

Pela primeira vez, ele informou ter detalhes sobre outro caso escabroso envolvendo o PT: o assassinato do prefeito de Santo André, Celso Daniel, em janeiro de 2002.
Valério disse que Lula e seu braço-direito, o atual secretário-geral da Presidência,
Gilberto Carvalho, estavam sendo extorquidos por figuras ligadas ao crime de Santo André, em especial o empresário Ronan Maria Pinto, apontado pelo Ministério Público como integrante de um esquema de cobrança de propina na prefeitura. Procurado por petistas para pagar o dinheiro da chantagem, Marcos Valério contou que recusou: "Nisso aí, eu não me meto", disse.

Segundo ele, quem acertou a questão foi um amigo de Lula, utilizando-se de um banco não citado no esquema do mensalão. Trata-se do pecuarista José Carlos Bumlai, que teria acertado um empréstimo com o banco Schahin.

Procurados por O Estado de S. Paulo, os advogados de José Dirceu e Antônio Palocci negaram a existência das reuniões no Planalto. Freud Godoy não se manifestou.

Em
viagem à França, onde acompanha a presidente Dilma Rousseff, Lula evitou falar com a imprensa e, segundo o jornal, não foi encontrado para comentar as acusações. Segundo o jornal, Valério disse que os valores foram depositados na conta da empresa do ex-assessor da Presidência, Freud Godoy, conhecido como o "faz-tudo" de Lula na época – e ligado ao escândalo dos aloprados.

O empresário declarou ainda que o ex-presidente deu "ok" para o PT tomar empréstimos com os bancos BMG e Rural para pagar deputados da base aliada.

O aval teria sido dado em um reunião no Palácio do Planalto, que teve a presença do ex-ministro
José Dirceu e do ex-tesoureiro do partido, Delúbio Soares, ambos também condenados pelo STF.

Na ocasião, Dirceu teria dito que Delúbio negociava em seu nome e no de Lula – o ex-ministro teria autorizado inicialmente pegar um empréstimo de 10 milhões de reais e, depois, mais 12 milhões.

Além disso, conforme a reportagem do jornal, Marcos Valério também afirma no depoimento que Lula e o ex-ministro da Fazenda, Antonio Palocci, negociaram com a Portugal Telecom no Palácio do Planalto o repasse de 7 milhões de reais para o PT – dinheiro que, segundo Valério, foi recebido por suas empresas de publicidade.

Ele afirma ainda no relato ao Ministério Público que Paulo Okamotto, atual diretor do Instituto Lula e amigo próximo do ex-presidente, o ameaçou de morte pouco depois do escândalo do mensalão ter sido revelado pelo presidente do PTB, Roberto Jefferson, em 2005.

Segundo Valério, Okamotto o procurou por ordem de Lula.

Segredos
– Com a certeza de que iria para a cadeia, o empresário mineiro começou a revelar os segredos do mensalão em meados de setembro, como revelou VEJA.

Em troca de seu silêncio, Valério disse que recebeu garantias do PT de que sua punição seria amena.

Já sabendo que isso não se confirmaria no Supremo – que o condenou a mais de 40 anos por formação de quadrilha, corrupção ativa, peculato e lavagem de dinheiro – e, afirmando temer por sua vida, ele declarou a interlocutores que Lula "comandava tudo" e era "o chefe" do esquema.
Pouco depois, o operador financeiro do mensalão enviou, por meio de seus advogados, um fax ao STF declarando que estava disposto a contar tudo o que sabe.

No início de novembro, nova
reportagem de VEJA mostrou que o empresário depôs à Procuradoria-Geral da República na tentativa de obter um acordo de delação premiada – um instrumento pelo qual o envolvido em um crime presta informações sobre ele, em troca de benefícios.

Pela primeira vez, ele informou ter detalhes sobre outro caso escabroso envolvendo o PT: o assassinato do prefeito de Santo André, Celso Daniel, em janeiro de 2002.
Valério disse que Lula e seu braço-direito, o atual secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho, estavam sendo extorquidos por figuras ligadas ao crime de Santo André, em especial o empresário Ronan Maria Pinto, apontado pelo Ministério Público como integrante de um esquema de cobrança de propina na prefeitura. Procurado por petistas para pagar o dinheiro da chantagem, Marcos Valério contou que recusou: "Nisso aí, eu não me meto", disse.

Segundo ele, quem acertou a questão foi um amigo de Lula, utilizando-se de um banco não citado no esquema do mensalão. Trata-se do pecuarista José Carlos Bumlai, que teria acertado um empréstimo com o banco Schahin.

Procurados por O Estado de S. Paulo, os advogados de José Dirceu e Antônio Palocci negaram a existência das reuniões no Planalto. Freud Godoy não se manifestou.

Em
viagem à França, onde acompanha a presidente Dilma Rousseff, Lula evitou falar com a imprensa e, segundo o jornal, não foi encontrado para comentar as acusações.

Grana do mensalão teria pago despesas pessoais de Lula.

 
 NA FOLHA DE SÃO PAULO

O empresário Marcos Valério Fernandes de Souza disse, em depoimento prestado em 24 de setembro à Procuradoria-Geral da República, que o esquema do mensalão ajudou a bancar despesas pessoais do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2003. A informação é da edição desta terça-feira do jornal "O Estado de S. Paulo".

Segundo a reportagem, os recursos foram depositados na conta da empresa do ex-assessor da Presidência Freud Godoy.

Valério teria afirmado ainda que o ex-presidente deu "ok", em reunião no Planalto com a presença do ex-ministro José Dirceu e do ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, para os empréstimos que serviriam de pagamentos a deputados da base aliada.

AMEAÇAS

No fim de setembro, o Supremo Tribunal Federal recebeu um fax, assinado pela defesa do empresário Marcos Valério, pedindo para ser ouvido e relatando correr risco de vida.

Ao receber o recado, o presidente da corte, ministro Carlos Ayres Britto, determinou sigilo e encaminhou o documento ao relator do caso, Joaquim Barbosa.

O STF confirmou ter recebido a mensagem, mas não divulgou o conteúdo, quem assinou, nem mesmo em que data a mensagem chegou.

Segundo a Folha apurou na ocasião, o texto do fax era curto, não contendo mais do que um parágrafo. Nele, o advogado de Valério sugeriria a possibilidade de uma delação premiada, mecanismo jurídico no qual alguém que é investigado pode se beneficiar colaborando com a Justiça.

DEPOIMENTO
Reportagem publicada pelo jornal "O Estado de S. Paulo" do início de novembro já havia informado que Marcos Valério havia prestado depoimento ao Ministério Público Federal no fim de setembro e citado o ex-presidente Lula e o ex-ministro Antonio Palocci.

O depoimento feito por Valério foi mantido sob sigilo. Segundo o jornal, o empresário mencionou outras remessas de recursos para o exterior, além das que foram feitas para o publicitário Duda Mendonça, que trabalhou na campanha de Lula em 2002 e foi absolvido pelo Supremo no processo do mensalão.

Ainda segundo a reportagem, Valério afirmou que poderá dar mais informações sobre suas acusações se for incluído no programa de proteção à testemunha. O empresário alega ter sido ameaçado de morte.

Valério foi condenado no STF por formação de quadrilha, corrupção ativa, peculato e lavagem de dinheiro. Suas penas do julgamento do mensalão somadas passam de 40 anos. Como a soma supera oito anos, o empresário deve cumprir parte da pena em regime fechado.

CASO CELSO DANIEL

Reportagem da revista "Veja" do início de novembro informa que Marcos Valério revelou em depoimento ao Ministério Público Federal ter detalhes envolvendo o PT no assassinato do prefeito de Santo André, Celso Daniel, em janeiro de 2002.

Segundo a reportagem, Valério disse que o ex-presidente Lula e o secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho, estavam sendo extorquidos por figuras ligadas ao crime de Santo André.

Ronan Maria Pinto, que é apontado pelo Ministério Público como integrante de um esquema de cobrança de propina na prefeitura, seria um dos suspeitos de chantagear Lula e Carvalho.

A revista diz que Valério foi procurado por petistas para pagar o dinheiro da chantagem, mas que ele teria se recusado. Segundo ele, quem teria ficado com a missão seria um amigo pessoal de Lula, que utilizou um banco não citado no mensalão.

Sobre a cassação de deputados pelo STF.

"Se há alguma coisa que se pressupõe no exercício do mandato é a ideia de liberdade. Agora nós temos um deputado preso com trânsito em julgado no exercício do mandato. Vejam que tamanha incongruência"
*Ministro Gilmar Mendes

Deu a louca no BBB?

Jean Wyllys chama evangélicos de “fundamentalistas” e “analfabetos funcionais” e causa furor nas redes sociais.

O deputado federal Jean Wyllys causou furor nas redes sociais ontem, ao comentar as críticas que recebe de pessoas contrárias à sua linha de atuação no Congresso Nacional, em defesa das propostas de ativistas gays.
Em uma publicação no Twitter, Wyllys reclamou das menções a ele em tweets enviados por evangélicos que discordam de sua postura, e classificou estes de fundamentalistas e analfabetos funcionais: “Confesso que o mais difícil, nos tweets dos fundamentalistas, é ter de ler a redação típica de um analfabeto funcional… É dose!”.
A publicação foi imediatamente respondida por diversos usuários, incluindo a psicóloga Marisa Lobo, que tem se colocado como uma das principais opositoras às iniciativas de Jean Wyllys: “Vergonha alheia: agora o deputado desequilibrado, boca suja, se fazendo de vítima, acusando todos nós de fundamentalistas religiosos, imbecis , e analfabetos funcionais”, protestou.
Marisa Lobo foi seguida por diversos usuários, que criticaram a postura do deputado e sua conduta: “Aquele bigbrotherzinho Jean Wyllys virou o pior da política brasileira! Fora cristofobia”, escreveu o usuário Alexander Dominguez.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Marco Aurélio muda voto e 4 réus se livram de acusação.

*"Depois não me digam que não existe papai Noel!!!"
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio Mello alterou nesta segunda-feira (10) seu voto no processo do mensalão sobre o crime de formação de quadrilha e livrou de condenação o ex-presidente do PP Pedro Corrêa, o ex-assessor do partido João Cláudio Genu, o ex-sócio da corretora Bônus Banval Enivaldo Quadrado e Rogério Tolentino, ex-advogado de Marcos Valério. Com isso, os quatro não respondem mais pela acusação porque a votação passa a ficar empatada em cinco votos pela condenação e cinco pela absolvição e o STF já decidiu que nesse caso o réu é beneficiado.

Os quatro réus estão condenados por outros crimes, mas a mudança os beneficiará com a fixação de um regime de cumprimento de pena mais favorável ou redução da sanção. Corrêa e Tolentino não terão mais de cumprir pena em regime fechado, partindo direto para o semiaberto. Enivaldo Quadrado deverá se livrar do semiaberto e ver sua punição convertida em penas alternativas. João Cláudio Genu continuará no regime semiaberto, mas sua pena cai de 7 anos e 3 meses para 5 anos de prisão.

No caso de Corrêa, Genu e Quadrado, o ministro justificou a alteração no voto com o fato de não se ter atingido o número de quatro pessoas necessário para o enquadramento no crime. Ele não concordou em considerar como culpado José Janene, já falecido. Com relação a Tolentino, ele afirmou que, ao analisar novamente o processo, entendeu não ter havido associação dele com outros réus para prática de crimes.

Com esse voto, Corrêa está condenado somente por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, com pena de 7 anos e 2 meses de prisão, o que lhe permite começar a pagar a punição em regime semiaberto. A pena de Tolentino cai de 8 anos e 5 meses para 6 anos e 2 meses de prisão, por lavagem de dinheiro e corrupção ativa, permitindo a mesma progressão de regime. Genu, por sua vez, passa a ter como única pena 5 anos de prisão por lavagem de dinheiro, também ficando no regime semiaberto. (Texto de EDUARDO BRESCIANI - Agência Estado)
*Frase do blogueiro

Dirceu não consegue mobilizar nem os petistas

Atos em São Paulo e Curitiba foram marcados pela ausência de petistas de peso; ex-ministro pretende realizar encontros em outras duas cidades.
Dirceu com seu filho durante ato contra a decisão do STF, em Curitiba
(Walter Alves/AGP/Folhapress)

Condenado a mais de dez anos de prisão pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por formação de quadrilha e corrupção ativa, o ex-ministro José Dirceu já conhece seu destino – e não se conforma. Antes de começar a cumprir sua pena, que deve ser iniciada em regime fechado, o petista tenta há semanas organizar eventos com militantes do partido em sua defesa.

Mas o que Dirceu não esperava era que seu prestígio estivesse tão baixo dentro da legenda onde construiu sua trajetória política e onde alcançou posto de líder influente.

Os três primeiros atos organizados até agora foram esvaziados e não produziram nenhum barulho.

O golpe de misericórdia veio na reunião do Diretório Nacional do PT na última sexta-feira, em Brasília.

Representando Dirceu, Serge Goulart, da tendência radical O Trabalho, apresentou uma moção sugerindo que o partido fosse às ruas para promover atos contra o STF e que não reconhecesse o julgamento do mensalão, segundo informou o jornal O Globo.

Porém, a proposta nem chegou a ser votada. A direção do PT não ousou dar início a um confronto com o órgão que encabeça um dos poderes da República - e também não quis submeter os mensaleiros a mais uma derrota pública.

Após o encontro, o partido divulgou uma nota, mas nenhuma linha fazia referência ao mensalão.

Os apoiadores de Dirceu tentaram reunir militantes em atos em São Paulo,
Osasco (SP) e Curitiba.

Na próxima semana, deverão ser feitas novas tentativas em Guarulhos (SP) e Porto Alegre (a menos que a decisão do diretório nacional enterre de vez os planos de Dirceu).

Em Osasco, o anfitrião do encontro realizado em uma escola foi outro condenado no mensalão, o deputado
João Paulo Cunha.

Ao grupo, também juntou-se o ex-presidente do PT
José Genoino. Na plateia, entretanto, os políticos mais ilustres eram vereadores e prefeitos de pequenos municípios paulistas, como Bofete e Jaboticabal, além de representantes de partidos nanicos como o PSDC e PTN.

O presidente do PT, Rui Falcão, e os deputados Jilmar Tatto (PT-SP), líder do PT na Câmara, e Arlindo Chinaglia (PT-SP), líder do governo, que haviam sido inicialmente anunciados como participantes do evento, não foram. Ao explicar as ausências, os organizadores culparam o “trânsito de São Paulo".

O ex-chefe do PT e ex-homem forte do governo Lula, acostumado a agendas requisitadas e à tribuna da Câmara dos Deputados, teve dificuldade para reunir 150 pessoas em Curitiba, a maioria estudantes no último dia 3.

O organizador foi o deputado federal
Zeca Dirceu (PT), seu filho. No Paraná, o partido conta com quadros nacionais, como o casal de ministros Paulo Bernardo (Comunicações) e Gleisi Hoffmann (Casa Civil) e o deputado federal Dr. Rosinha.

Mas apenas o secretário nacional de comunicação do PT, o paranaense
André Vargas, compareceu.

Em São Paulo, um novo encontro reuniu Dirceu e Genoino na sede do Sindicato dos Engenheiros do Estado de São Paulo, no dia 24.

A única cara conhecida na plateia era o senador Eduardo Suplicy (PT-SP), e o encontro foi preenchido por militantes do Fórum do Diálogo Petista, criado por filiados de correntes consideradas radicais do PT.

No discurso, Dirceu repetiu a ladainha de que sua condenação foi um golpe da elite e da imprensa, falou em “martírio” e chegou a afirmar que só não foi “fuzilado porque num Estado democrático de Direito não há pena de morte”.

Suplicy afirma que participou do encontro esvaziado para ouvir Dirceu. “Eu conheço os três (Dirceu, Genoino e João Paulo Cunha) há 32 anos. Fui lá para ouvir, refletir. Fui para isso. Acho que é uma questão dolorosa. Sobre ausências eu prefiro só responder por mim. Cada um é cada um”, disse Suplicy.

São essas correntes petistas que têm pressionado o partido para que a direção nacional seja mais enérgica ao defender os réus. Dirigente da tendência O Trabalho, Markus Sokol disse em novembro que existe “insatisfação na base do partido” com a forma com que o partido tem lidado com o resultado do julgamento - tímida, na sua opinião.

“Se ficar sem resposta, outras organizações que incomodam a elite dominante não poderão se sentir garantidas”, disse o dirigente.

“Falta solidariedade no nosso partido. É na hora ruim que se conhece o companheiro. Eles [Dirceu, Genoino e Cunha] merecem mais do nosso carinho”, afirmou em Osasco o deputado Devanir Ribeiro (PT-SP), um dos petista que saiu em defesa do ex-ministro publicamente. A desculpa de petistas para não comparecer tem sido de que os atos não são eventos oficiais do partido e não contam com a chancela dos diretórios locais.

O PT fará de tudo para minimizar os danos do julgamento do mensalão. Tentará reescrever a história, afirmando que não se valeu de métodos criminosos para assegurar o poder.

Mas, no momento ao menos, não existe apoio irrestrito aos condenados pelo STF.

Se isso representará a derrocada definitiva de José Dirceu, uma das figuras mais poderosas do PT - e também do país, no início da década passada - é uma história a se acompanhar de perto.

*Por Jean-Philip Struck - VEJA.com