terça-feira, 16 de junho de 2009

O ex-traficante que acabou na USP

Pelo relatório que acaba de ser divulgado pelo Unicef, Marcos Lopes tinha o perfil perfeito para ficar fora da escola e, mais do que isso, estar preso ou morto: negro, favelado, morador de uma região violenta, ex-assaltante e ex-traficante de droga. Era improvável que acabasse escritor e frequentando a USP. Trechos de seu livro estão no site Catraca Livre.
A maioria dos jovens, mesmo sem entrada no crime, tem dificuldades para concluir o ensino médio, como enfatizou o relatório. E, aqui, está a combinação mais explosiva do país: jovens desocupados e sem qualificação vivendo nas grandes cidades, onde o crime arregimenta sua mão de obra. Com a ajuda de uma entidade não-governamental (Casa do Zezinho), Marcos voltou a estudar, fez faculdade e começou a dar aulas na escola da qual foi expulso por assaltar a cantina e botar fogo. Como se especializou em intermediação de conflitos para evitar violência, Marcos foi aceito num curso, dentro do campus da USP, de engenharia comunitária, oferecido pela Fundação Vanzolini, ligada à Poli. "Quero replicar depois esse modelo de curso", afirma.
A tragédia do ensino médio no Brasil (e da educação pública em geral) faz de Marcos, que da boca do fumo virou professor e estuda na USP, um belo exemplo, mas uma exceção das exceções e mostra o longo caminho que temos pela frente para ser uma nação civilizada.
*Texto de Gilberto Dimenstein na Folha Online

Ministério Público pune com demissão procurador da Hurricane

O CSMPF (Conselho Superior do Ministério Público Federal) julgou procedente, por maioria, em sessão realizada nesta segunda-feira (15), o processo disciplinar que propôs pena de demissão ao Procurador Regional da República João Sérgio Leal Pereira, informa o blog. Pereira, procurador regional da República no Rio de Janeiro, é acusado de crime de quadrilha na Operação Hurricane (venda de sentenças judiciais para beneficiar a exploração de bingos e caça-níqueis). O blog informa que o processo foi motivado pelo descumprimento da proibição do exercício da advocacia por membros do Ministério Público. Em novembro de 2008, o STF (Supremo Tribunal Federal) recebeu, por maioria, a denúncia contra Pereira. Segundo informou na época a assessoria de comunicação do Ministério Público, o procurador prestava assessoria jurídica ao grupo criminoso, o que incluía o repasse de informações sigilosas da Procuradoria, recebendo R$ 5 mil mensais.

CUT investe cerca de R$ 80 mil em CPI para fazer baderna

A seção gaúcha da CUT (Central Única dos Trabalhadores) financiou comerciais de TV e rádio defendendo a abertura de CPI para investigar supostos atos de corrupção no governo de Yeda Crusius (PSDB). Nos comerciais, pessoas aparecem sendo entrevistadas e afirmam que os deputados devem investigar as supostas irregularidades e abrir a CPI. Os comerciais de TV foram veiculados entre sexta e domingo, mas as inserções no rádio continuam. Segundo a CUT, a campanha custou R$ 80 mil. Partidos de oposição (PT, PDT, DEM, PSB e PC do B) tentam desde o mês passado instalar uma CPI na Assembleia para apurar denúncias de que a casa onde mora a governadora teria sido comprada com caixa dois da campanha de 2006.
Yeda nega irregularidades e diz que já foi inocentada por investigação do Ministério Público Estadual. Até agora 17 deputados dos 55 deputados da Assembleia do RS assinaram o requerimento. Para instalar CPI são necessárias 19 assinaturas. O governo tucano e os sindicatos têm uma relação de constante tensão no RS. Sindicalistas se opõem à proposta de Yeda de reformular os planos de carreira do funcionalismo e este ano as entidades que reúnem servidores já fizeram campanhas e protestos acusando o governo de corrupção. O presidente da CUT-RS, Celso Woyciechowski, disse que o objetivo da nova campanha publicitária é "sensibilizar" os deputados a aderirem ao requerimento. Segundo ele, os depoimentos que aparecem nas propagandas foram obtidos "espontânea e aleatoriamente" nas ruas de Porto Alegre. "A pior situação de todas é a dúvida e nós acreditamos que a CPI pode ajudar a acabar com essas interrogações", disse Woyciechowski. Os governistas afirmam que a oposição não tem fatos e que tem "interesses eleitoreiros" na abertura da CPI. "Essa CPI não sai porque não tem fatos, é política. A oposição quer criar tumulto e não deixar que as ações do governo tenham visibilidade", diz a presidente do PSDB-RS, deputada Zilá Breitenbach. A parlamentar afirma que a maioria dos trabalhadores representados pelos sindicatos não concorda com a oposição feita pelos dirigentes sindicais.
Leia mais em http://www1.folha.uol.com.br/

Instituto Adolfo Lutz detecta mutação no vírus da gripe suína em SP

O Instituto Adolfo Lutz, ligado ao governo do Estado de São Paulo, conseguiu isolar o vírus da gripe suína --como é chamada a gripe A (H1N1)-- e detectou uma nova "estirpe" da doença no Brasil. Os técnicos brasileiros perceberam um padrão diferente para o vírus daquele que foi registrado pelo CDC (Centros de Controle de Doenças dos Estados Unidos) com base em amostras retiradas de pacientes da Califórnia. Segundo pesquisadores do Adolfo Lutz, foi detectado, por intermédio de sequenciamento genético, que houve mutação na proteína hemaglutinina (o "H" da sigla), responsável pela capacidade de infecção do vírus. A variação revelada passa a ser chamada de Influenza A/São Paulo/H1N1. De acordo com a Secretaria do Estado da Saúde, o vírus da gripe suína foi fotografado pelo setor de microscopia eletrônica do instituto --a imagem do vírus foi ampliada em 200 mil vezes, por meio de um equipamento que possui a capacidade de aumentar esse tipo de imagem em até 1 milhão de vezes. Os técnicos do Adolfo Lutz afirmam que o isolamento do vírus da gripe suína irá contribuir para a produção da vacina e detectar a resposta aos medicamentos antivirais.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Seleção revela "alívio" no vestiário após vitória no sufoco contra o Egito

Os jogadores da seleção brasileira revelaram que ficaram aliviados com a vitória por 4 a 3 contra o Egito, nesta segunda-feira, na estreia do país no Grupo B da Copa das Confederações. "Foi um alívio sair com três pontos importantes. Vamos fazer o melhor para a seleção ser campeã", disse o atacante Alexandre Pato. "Todos sabiam como ia ser o jogo, que o Egito iria complicar. O Egito é forte e tem bons jogadores", completou o atacante. A seleção chegou a estar vencendo a partida por 3 a 1, mas cedeu o empate e só conseguiu a vitória com um gol nos acréscimos da etapa final anotado por Kaká, cobrando pênalti. "Sofremos mais do que o esperado, o jogo estava 3 a 1. Deveríamos ter tocado um pouco mais a bola, ter tido mais tranquilidade", analisou o atacante Luis Fabiano. Segundo o meia-atacante Kaká, o cansaço atrapalhou a equipe. "Perdemos jogadas que normalmente não perderíamos. O importante foi a vitória no final." A seleção brasileira volta a campo na quinta-feira, às 11h (horário de Brasília), quando enfrenta os Estados Unidos. "O próximo jogo é complicado, mas a tendência é crescer. Vamos conseguir fazer uma boa partida", disse Luis Fabiano.

Coritiba aplica goleada humilhante ao Flamengo

Coritiba goleia Flamengo e mantém tabu de 11 anos
As vitórias não vinham no Brasileirão 2009 para o Coritiba. Foram cinco rodadas sem saber o que era vencer, mas, quando a primeira veio, foi daquelas maiúsculas, para ser lembrada por muitos anos pelos mais de 23 mil torcedores presentes no Couto Pereira. O 5 a 0 sobre o Flamengo, neste domingo (14), pode não ter servido para tirar o Coxa da zona de rebaixamento, mas com certeza é um ponto de virada na trajetória da equipe, até então sem vitória na competição.Wellinton (contra), Marcos Aurélio, Bruno Batata (duas vezes) e Leozinho construíram o placar histórico que manteve um tabu de 11 anos sem que o Flamengo consiga vencer o Coritiba em Curitiba. A última vez foi em 1998.O jogo teve a expulsão polêmica de Ariel Nahuelpán, no final do primeiro tempo, após ser pisado por Airton, também foi expulso. O árbitro Wilson Luiz Seneme ainda expulsou Felipe, fazendo o Coritiba ficar com nove jogadores nos últimos 15 minutos do jogo, porém sem ser vazado pelo adversário.
Com o resultado, o Coritiba sobe uma posição e é o 18º, com quatro pontos. O Flamengo fica na 11ª colocação com sete pontos. No próximo sábado (20), o Coritiba enfrenta o Náutico, no Recife, às 18h30. O Flamengo tentará a reabilitação no domingo (21) contra o Internacional no Maracanã.
* Com informações da Gazeta do Povo-Coritiba

O vale-tudo do jogo eleitoral do Governo


PT de São Paulo volta a flertar com Orestes Quércia para 2010
O PT de São Paulo voltou a flertar com Orestes Quércia (PMDB-SP), informa a coluna de Mônica Bergamo, publicada nesta segunda-feira pelo Jornal Folha de São Paulo.
Segundo a coluna, o PMDB, no entanto, tem reafirmado seu compromisso de marchar com o presidenciável José Serra (PSDB-SP) nas eleições de 2010.
Na sexta-feira, a coluna informou que a possibilidade de Ciro Gomes (PSB-CE) disputar o governo de São Paulo no próximo ano tem sido discretamente festejada por seguidores de Geraldo Alckmin (PSDB-SP).
De acordo com a coluna, eles acham que "ameaças" de lançamento de candidatos competitivos pelos partidos de oposição aos tucanos em SP ajudam a forçar o governador José Serra (PSDB-SP) a desistir de seu projeto de lançar Aloysio Nunes Ferreira, secretário da Casa Civil, à sucessão. Aloysio tem só 2% de votos, contra até 50% de Alckmin.
*Leia a coluna completa na Folha desta segunda-feira, que já está nas bancas.

Governo compra votos?


Governo ignora lei e libera verbas a Estados e cidades

De janeiro a maio deste ano, ao menos 47 municípios e três Estados que não cumpriram os limites constitucionais mínimos de investimento em saúde e educação em 2008 receberam R$ 40,4 milhões da União em convênios irregulares, informa reportagem de Angela Pinho e Fábio Zanini, publicada neste domingo pelo Jornal de São Paulo. Com dificuldade em executar o Orçamento, o governo está ignorando a LRF (Lei de Responsabilidade Fiscal) para tentar dar agilidade a obras e projetos em Estados e municípios. Segundo a reportagem, entre as áreas beneficiadas estão agricultura, turismo, esporte, direitos humanos e ciência e tecnologia, o que é proibido pela LRF. Em seu artigo 25, a lei veda transferências voluntárias (convênios) a Estados e municípios que não gastaram o patamar mínimo exigido pela Constituição em educação (25% da receita) e saúde (15% para municípios e 12% para Estados). Há só três exceções previstas: convênios relativos a saúde, educação e assistência social. A Folha também identificou R$ 47,2 milhões em convênios relativos a obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). Responsável pela liberação de recursos para prefeituras e Estados inadimplentes, a Secretaria do Tesouro Nacional foi procurada durante quatro dias na semana passada, mas não respondeu ao e-mail com perguntas enviadas. A Casa Civil afirmou que os repasses do governo federal a Estados e municípios para a execução de obras do PAC foram, desde 2007, transformados em transferências obrigatórias. Com isso, não estão sujeitos às restrições impostas pela Lei de Responsabilidade Fiscal, que vetam repasses de transferências voluntárias a municípios inadimplentes, exceto nos casos de educação, saúde e assistência social.
O Ministério do Planejamento também foi procurado pela reportagem, mas informou que não tem responsabilidade sobre os convênios. Já a CGU (Corregedoria Geral da União) informou que "não tem competência para autorizar ou desautorizar a liberação de recursos, caso a caso. Isso é responsabilidade de cada ministério".

Petrobras paga R$ 4 milhões a produtoras ligadas ao PT

Projetos sem licitação foram autorizados por funcionário demitido sob suspeita de desvio Empresa está analisando contratos com produtoras que atuaram em campanhas de Jaques Wagner (PT-BA) e de duas prefeitas petistas
Por Leonardo Souza e Hudson Corrêa, na Folha:
Duas produtoras de vídeo que trabalharam nas campanhas do governador Jaques Wagner (PT-BA) e de duas prefeitas do PT receberam R$ 4 milhões da Petrobras em 2008, sem licitação, em projetos autorizados por Geovane de Morais, demitido por justa causa por suspeitas de desvio de recursos nos contratos sob sua responsabilidade.Baiano de Paramirim, Morais é ligado ao grupo político petista oriundo do movimento sindical de químicos e petroleiros do Estado, do qual fazem parte Wagner e Rosemberg Pinto, assessor especial do presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, também da Bahia.Morais era o gerente de Comunicação da área de Abastecimento. Sob sua administração estava um orçamento no ano passado de R$ 31 milhões.Sua demissão foi decidida em 3 de abril, após uma sindicância interna ter constatado uma série de irregularidades em sua gestão, incluindo “indícios de pagamentos sem a devida entrega de serviços contratados”. Ou seja, desvio de dinheiro.Dada a gravidade do caso, a comunicação institucional da Petrobras está analisando todos os contratos autorizados por Morais, incluindo os repasses para as duas produtoras.A Folha teve acesso a todos os contratos de 2008 da área comandada por Morais. Entre os valores recebidos pelas duas produtoras, está R$ 1,5 milhão para filmagem de festas de São João e Carnaval na Bahia. Aqui A Petrobras informou que desde dezembro apura indícios de irregularidades nos contratos da gerência de Comunicação do Abastecimento e que decidiu, em abril passado, pela demissão por justa causa de Geovane de Morais.“Foram encontrados indícios de pagamentos sem a devida entrega dos serviços contratados”, diz.Questionada pela Folha se havia sinais de favorecimento ao PT nos contratos autorizados por Morais, a estatal disse que não identificou sinais, até o momento, de beneficiamento a nenhum partido. Aqui O crescimento da Movimento Produções coincide com a ida de Geovane de Morais para a Petrobras e com a eleição de Jaques Wagner para o governo baiano.Em 2003, Vagner Angelim e seu sócio José Carlos compraram a Movimento por R$ 1.000. Em 2004, Morais assumiu a gerência de comunicação de Abastecimento. Em julho de 2005, a produtora abriu filial no Rio, e o capital social foi para R$ 90 mil. Em 2007, após a eleição, registrou capital de R$ 500 mil.Segundo a assessoria de Wagner, a Movimento não trabalha diretamente para o Estado, mas presta serviços para agências que têm contratos com o governo.
Fonte: http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/

Após violência, líder supremo do Irã pede investigação sobre eleição

O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, ordenou nesta segunda-feira uma investigação sobre possível fraude eleitoral na eleição presidencial da semana passada --que reelegeu o controverso presidente Mahmoud Ahmadinejad sob fortes protestos e críticas da oposição.
Khamenei ordenou ao poderoso Conselho dos Guardiães que examine as alegações do candidato reformista derrotado, Mir Hossein Mousavi, que afirma fraude nos resultados da eleição da última sexta-feira no país. O governo declarou o presidente Ahmadinejad vitorioso com ampla margem, apesar das pesquisas de intenção de voto indicarem uma disputa acirrada.
A medida surpreendeu já que o líder supremo iraniano, a figura mais poderosa da República Islâmica, já havia validado o resultado das eleições. Mousavi escreveu um apelo neste domingo ao Conselho dos Guardiães, um corpo de 12 integrantes que é pilar da teocracia iraniana. Mousavi também se reuniu neste domingo com Khamenei. Em carta enviada a este órgão integrado por seis clérigos e seis civis, a metade deles escolhidos de forma direta pelo líder da Revolução, Khaamenei, o opositor reformista acusava o Ministério do Interior e seu rival, o presidente Ahmadinejad, de influir nos resultados. Analistas afirmam que a decisão não deve ir além de um trâmite formal, pois quase ninguém prevê que o citado Conselho escute as queixas do candidato da oposição. Os apoiadores de Mousavi realizaram três dias consecutivos de protestos em Teerã contra a reeleição de Ahmadinejad --que suscitou a violência nas ruas.
Enquanto chega o esperado veredicto, Moussavi pediu a seus seguidores para se manifestar de forma pacífica nas ruas do país, tomadas por soldados da polícia e das milícias de voluntários islâmicos Basij. Neste domingo à noite, os protestos voltaram a se converter em confrontos com cenas de batalha campal. Contêineres e pneus incendiados, mobiliário urbano destroçado, patrulhas de milicianos Basij em motos, armados com paus e inclusive com pistolas e postos de controle colocados em pontos estratégicos da cidade foram as principais cenas.