segunda-feira, 23 de março de 2009

Tiroteio entre traficantes assusta moradores de copacabana

Um confronto entre traficantes rivais assustou moradores do bairro da zona sul do Rio, entre a noite de sábado e a tarde de ontem. Após os tiroteios, a polícia fez incursão no morro dos Tabajaras e prendeu dois suspeitos com armas (uma submetralhadora, uma granada e munições) e drogas. Um deles estava ferido na perna. O tiroteio no alto do morro começou quando traficantes da Rocinha (em São Conrado, na zona sul) tentaram invadir a favela de Copacabana, na noite de sábado. Ontem, por volta de meio-dia, foram feitos novos disparos. O suspeito ferido disse que era morador da Rocinha. Ele foi atendido no hospital Miguel Couto, no Leblon, e não precisou ser operado.

Obama promete plano para pôr fim a guerra

Às vésperas de divulgar o novo plano americano para o Afeganistão, o presidente Barack Obama disse ontem que o uso da força não é suficiente para acabar com a insurgência Taleban no país da Ásia Central, oito anos após a invasão liderada pelos Estados Unidos e seus aliados da Otan (aliança militar ocidental).Os esforços no Afeganistão, segundo Obama, devem ser norteados pelo objetivo de saída das tropas estrangeiras."O que não podemos fazer é pensar que só uma abordagem militar resolverá os nossos problemas. O que buscamos é uma estratégia abrangente. E é preciso que ela seja uma estratégia para a retirada. Todos sabemos que essa situação não pode durar para sempre", disse Obama ao canal de TV CBS.O presidente qualificou o Afeganistão de problema mais complexo do que o Iraque onde, segundo ele, há "uma população com muito mais acesso a educação e uma melhor infraestrutura".O tom alarmista de Obama reflete a preocupação com as múltiplas dificuldades que as forças ocidentais enfrentam no país da Ásia Central.Depois de ser varrido do poder, o Taleban retomou o controle de áreas inteiras e goza de crescente apoio popular, devido às numerosas vítimas civis de ataques da Otan.Além disso, os rebeldes se fortaleceram economicamente graças à produção e exportação de ópio, atividade que escapa do controle do incipiente governo pró-ocidental de Cabul.Alguns aspectos da nova estratégia americana para enfrentar esse cenário foram delineados na entrevista à TV CBS -o plano integral deve ser formalmente anunciado antes da cúpula sobre o Afeganistão em Haia (Holanda), no dia 31.Obama, que acusa o governo do antecessor George W. Bush (2001-09) de ter fracassado no planejamento do cenário posterior à derrubada do Taleban, prometeu ontem enfatizar o desenvolvimento social e econômico do Afeganistão.O presidente deixou claro que reforçará as parcerias de cooperação com outros países e organismos internacionais como a ONU, em sintonia com os aliados americanos que resistem em aumentar seus contingentes e pressionam por uma saída política e negociada.Ele enfatizou ainda a necessidade de intensificar o combate aos rebeldes na porosa fronteira entre Afeganistão e Paquistão, considerada um "santuário" para grupos terroristas.O presidente americano disse que buscará cooperação do aliado Paquistão na luta contra o Taleban, mas deu a entender que prosseguirá a controversa tática de atacar alvos rebeldes em território paquistanês, o que pode acirrar a irritação do governo de Islamabad.Os EUA acreditam que alguns setores das forças de segurança paquistanesas são coniventes com o Taleban.O plano americano para o Afeganistão começou a ser revelado nas últimas semanas.Em fevereiro, a Casa Branca anunciou o envio de 17 mil soldados adicionais, elevando para 55 mil o contingente americano. Com o reforço, o total de militares ocidentais no Afeganistão chegará a 72 mil.A imprensa também antecipou alguns aspectos do plano. Recente reportagem do "New York Times" disse que a Casa Branca apostará no aumento das forças de segurança afegãs. Mas, segundo o jornal, a situação é tão grave que os EUA reduziram drasticamente as expectativas em relação ao país. A criação de "um grande Estado democrático", antes prioritária, foi substituída pela meta de estabilidade, mais vaga.Outra reportagem, divulgada ontem pelo jornal britânico "The Guardian", diz que o novo plano dos EUA e seus aliados europeus para o Afeganistão inclui esvaziar o poder do presidente Hamid Karzai. Para isso, pretendem criar um cargo de primeiro-ministro e repassar dinheiro diretamente para as Províncias, em vez de para o governo central em Cabul.Em outubro, um jornal francês divulgou um telegrama do embaixador britânico no Afeganistão no qual ele defendia a instalação de um "ditador aceitável" naquele país.

O que desperta o desejo sexual feminino

Ida Bauer aparece nos textos de Sigmund Freud, o pai da psicanálise, sob o nome fictício de Dora. É uma moça bonita, de 15 anos, perturbada por tosses nervosas e incapacidade ocasional de falar. Chegou ao divã do médico vienense queixando-se de duas coisas: assédio sexual de um amigo da família e indisposição do pai em protegê-la. Freud aceitou os fatos, mas desenvolveu uma interpretação própria sobre eles. O nervosismo e as doenças se explicavam porque a moça se sentia sexualmente atraída pelo molestador, mas reprimia a sensação prazerosa e a transformava, histericamente, em incômodo físico. Como Ida se recusou a aceitar essa versão sobre seus sentimentos, largou o tratamento. Peter Kramer, biógrafo de Freud, diz que os sintomas só diminuíram quando ela enfrentou o pai e o molestador, tempos depois. Freud estava errado; ela, certa. Anos mais tarde, refletindo sobre a experiência, Freud escreveu uma passagem famosa: “A grande questão que nunca foi respondida, e que eu ainda não fui capaz de responder, apesar de 30 anos de pesquisa sobre a alma feminina, é: o que querem as mulheres?”.
Meredith Chivers, uma jovem pesquisadora da Universidade Queen, no Canadá, acredita que pode finalmente responder à pergunta. Sem os preconceitos e a ortodoxia de Freud, e com recursos experimentais que ele não tinha, reuniu 47 mulheres e 44 homens em laboratório e aplicou o mesmo teste a todos eles: viram oito filmes curtos sobre sexo, com temas variados, enquanto seus órgãos genitais eram monitorados por sensores capazes de medir a ereção masculina e a lubrificação feminina. Ao mesmo tempo, Meredith pediu que indicassem, num sensor eletrônico, quanto estavam excitados com cada cena projetada. Essa era a parte subjetiva do teste.
Os resultados foram sensacionais. Meredith descobriu, primeiro, que as mulheres, sejam elas hétero ou homossexuais, se estimulam com uma gama muito variada de cenas. Homem e mulher transando, mulheres transando, homens transando, quase tudo foi capaz de produzir excitação física nas mulheres. Até cenas de coito entre bonobos (os parentes menores e mais dóceis dos chimpanzés) causaram alterações genitais nas voluntárias, embora tenham deixado os homens indiferentes. Qualquer que seja a sua orientação sexual, eles parecem ser mais focados em suas preferências. Homossexuais se excitam predominantemente com cenas de sexo entre homens ou com cenas de masturbação masculina. Heterossexuais se interessam por sexo entre mulheres, sexo entre homens e mulheres e atividades que envolvam o corpo feminino, mesmo as não-sexuais. O estudo sugere que as mulheres são mais flexíveis em sua capacidade de se interessar. Seu universo sexual é mais rico.
A outra surpresa da pesquisa de Meredith, talvez sua descoberta mais importante, foi a constatação de que existe uma distância entre o que as mulheres manifestam fisicamente e o que elas declaram sentir. As cenas de sexo entre mulheres, por exemplo, foram as que causaram maior excitação física entre as mulheres heterossexuais – mas aparecem em segundo na lista de respostas sobre as imagens mais excitantes. Ocorre o mesmo com sexo entre dois homens. Os sensores vaginais mostram ser esse o terceiro tipo de cena que mais excita as mulheres, mas ele aparece na quinta posição nas declarações. O fenômeno de divergência entre corpo e mente não poupa os macacos. Meredith diz que o relato subjetivo das mulheres sobre os bonobos não é coerente com a excitação física que elas demonstram. “O que eu descobri foi que as mulheres ficaram fisicamente excitadas (com os macacos), mas não declararam se sentir dessa forma”, ela disse em entrevista a ÉPOCA. Os homens demonstram um grau de coerência mais elevado entre as medidas objetivas e subjetivas. Eles declaram gostar daquilo que fisicamente os comove, embora também se confundam com escolhas, por assim dizer, difíceis. No instrumento em que registram suas preferências, os homens heterossexuais marcaram as cenas de masturbação femininas como as mais excitantes, vencendo por pouco o sexo entre duas mulheres. Mas os sensores genitais mostraram coisa diferente: a vitória pertence claramente às cenas de sexo entre mulheres. A conclusão é que também entre os homens há uma diferença entre excitação mental e excitação física, mas ela parece ser muito menor do que entre as mulheres.
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Rivotril: por que o medicamento é o segundo mais vendido no país?

Alguma coisa estranha deve estar acontecendo quando um remédio contra a ansiedade – tarja preta, vendido apenas com retenção de receita – se torna o segundo medicamento mais consumido no Brasil. Esse remédio é o velho Rivotril, que tem 35 anos de mercado, mas nos últimos cinco escalou rapidamente o ranking dos mais vendidos até chegar ao segundo lugar. Em 2008, os brasileiros compraram nas farmácias 14 milhões de caixinhas do ansiolítico (o campeão de vendas é o anticoncepcional Microvlar, com 20 milhões de unidades). O Rivotril bate remédios de uso corriqueiro, segundo o IMS Health, instituto que audita a indústria farmacêutica. Vende mais que a pomada contra assaduras Hipoglós, o analgésico Tylenol e outros produtos que os consumidores colocam na cestinha sem saber se algum dia vão usar.
O sucesso espetacular do Rivotril no Brasil não ocorre com outros medicamentos da mesma categoria. A classe dos tranquilizantes é a sétima mais vendida no país – vende menos que anticoncepcionais, analgésicos, antirreumáticos e outros tipos de remédio. A clara preferência pelo Rivotril é um fenômeno brasileiro, que não se repete em outros países.
A escalada desse ansiolítico na lista dos mais vendidos sugere que a população em sofrimento psíquico pode ser maior do que se imagina. Transtornos de ansiedade e depressão são comuns nas grandes cidades, castigadas pela violência, pelo trânsito e pelo desemprego. Mas a pesquisa São Paulo Megacity, uma parceria do Hospital das Clínicas de São Paulo com a Organização Mundial da Saúde, revela que cerca de 40% dos moradores da região metropolitana sofre de algum tipo de transtorno psiquiátrico. É um porcentual que os próprios psiquiatras consideram “assustador” – e que depõe frontalmente contra a imagem de “nação feliz” que os estrangeiros e nós mesmos, brasileiros, gostamos de cultuar.
O segundo problema que leva à indicação excessiva do Rivotril é a precariedade do atendimento de saúde brasileiro, sobretudo de saúde mental. Há falta de psiquiatras no país. Consequentemente, as pessoas não recebem diagnóstico correto e não têm tratamento adequado de seus problemas. Quando o paciente chega ao consultório com enxaqueca, gastrite ou qualquer outra queixa que possa ter alguma relação com ansiedade, frequentemente ganha uma receita de Rivotril. “Os médicos fazem isso porque o remédio é barato (a caixinha mais cara custa R$ 13), antigo e seguro”, diz Luiz Alberto Hetem, vice-presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria. “Mas ele pode mascarar quadros mais graves.” O ansiolítico acalma e atenua a ansiedade, mas os problemas subjacentes não são diagnosticados. “Grande parte das pessoas nem sequer sofre de ansiedade. A depressão é muito comum”, afirma a psiquiatra Mônica Magadouro. “Mas o atendimento é tão precário que nem se nota a diferença.”

Vera Fischer:"Há dois anos eu 'tô' sem sexo"

Aos 57 anos, a atriz Vera Fischer lança sua segunda autobiografia, "Um Leão por Dia". A atriz falou à coluna Mônica Bergamo, na Folha deste domingo (22), sobre sua vida e carreira.
"Eu era canastrona, eu era burra, eu era loura, eu era miss, eu era pornochanchadeira. Eu precisava sobreviver, eu tinha que ter dinheiro", disse Vera no início da entrevista, realizada na cobertura da atriz no Alto Leblon, no Rio.
"Eu nunca fui muito sexual. Eu sou o contrário de toda essa imagem que eles passaram. Tanto que me elegeram símbolo sexual de uma época. Eu nunca fui. Eu, por dentro, nunca fui. Sou uma pessoa de amar."
"Tô solteira desde o Marcos Paulo", diz a estrela, no ar como a Chiara de "Caminho das Índias", novela das 21h da Globo. "Não sinto falta de sexo, não sinto. Eu quero amar. Há dois anos eu tô sem sexo."
No livro, Vera fala da primeira transa --na areia da praia, feito um "bife à milanesa"--, dos concursos de beleza (ela foi miss Brasil em 1969), das pornochanchadas e dos homens de sua vida.
Ela também relata a perda do único irmão, Werner. "Liguei para minha mãe e qual não foi o meu choque quando ela me disse que meu irmão tinha morrido. Aquele menino louro, de 20 anos, sem ter tido tempo de viver a vida, amoroso, quietinho, estava morto", escreve. O pai de Vera cortava grama no jardim quando Werner chegou molhado da praia e pisou num fio desencapado. "Ficou grudado, gritando. Que cena dantesca!", relata a atriz na autobiografia.
A ex-miss lança a autobiografia nesta segunda (23), no Rio.

Globo exibe sexo indiano para ofuscar estreia da Record

No capítulo desta terça (24) de "Caminho das Índias", o casal Raj (Rodrigo Lombardi) e Maya (Juliana Paes) terá sua primeira noite de amor. As cenas do casal, que a partir de agora protagonizará a novela global, foram programadas a dedo. Coincidirão com a estreia, no mesmo horário, de "Promessas de Amor", a terceira fase de "Os Mutantes", na Record.
A estratégia da Globo é impedir que "Promessas de Amor" tenha audiência superior a 20 pontos, principalmente no Rio --em São Paulo, a saga dos mutantes nem de longe ameaça a liderança global.
Na rede, é grande a expectativa para que "Caminho das Índias" deslanche. Após o casamento de Raj e Maya, outra trama que crescerá será a da falsa morte de Raul (Alexandre Borges).
A autora da novela, Glória Perez, criou uma simulação de morte por infarto. Para isso, contou com a ajuda de um especialista em medicina legal. "Há uma substância, que naturalmente não vou divulgar, que, injetada no indivíduo, provoca um estado de catalepsia que dura algumas horas. É nesse estado que muita gente, antigamente, e ainda hoje no interior do país, é enterrada viva", conta Glória.
Raul e Yvone (Letícia Sabatella), sua cúmplice, fugirão para Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. No Brasil, Ramiro (Humberto Martins), irmão de Raul, irá pressionar a "viúva", Silvia (Debora Bloch), pelo controle da empresa da família. Eles partirão pelo enfrentamento, e Silvia, para cobrir o desfalque dado por Raul, perderá todos os bens.
A íntegra da coluna está disponível no Jornal Folha de São Paulo de Domingo (22).

PF prepara exclusão de Protógenes de seus quadros

O afastamento do delegado Protógenes Queiroz já foi planejado e será formalizado quando chegar ao fim a investigação conduzida pelo corregedor da Polícia Federal, delegado Amaro Ferreira, informa o blog do Josias no jornal Folha de São Paulo.
Protógenes é investigado por eventuais irregularidades na condução da primeira fase da Operação Satiagraha, que investiga supostos crimes financeiros atribuídos ao banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity. Na última quarta-feira (18), Protógenes foi indiciado pelos crimes de violação da lei de interceptação telefônica e quebra de sigilo funcional.
A investigação está avançada e, apesar de o delegado negar o uso de métodos ilegais, o diretor-geral da PF, Luiz Fernando Corrêa, e ministro da Justiça, Tarso Genro, dão como certo seu desligamento.
Desde que foi afastado do comando da Operação Satiagraha, Protógenes está alocado na CGDI (Coordenação Geral de Defesa Institucional), órgão ligado à Direx (Diretoria Executiva) da PF.
Leia mais no blog do Josias.

Hugo Chavez:"Obama é um pobre ignorante e deveria estudar"

O presidente venezuelano, Hugo Chávez, chamou ontem Barack Obama de "pobre ignorante", em resposta a acusações feitas pelo presidente americano, em uma entrevista de TV divulgada em janeiro, de que seria patrocinador do terrorismo e um obstáculo ao desenvolvimento da América Latina."Agora você vem me acusar de exportar terrorismo? O mínimo que eu poderia dizer é que ele é um pobre ignorante. Deveria estudar para entender a realidade latino-americana", ironizou Chávez, no programa semanal de TV "Alo, presidente".Chávez também relatou ter cogitado, após a posse de Obama, normalizar as relações com Washington, rompidas desde o ano passado, após a expulsão do embaixador americano em Caracas."Mas quando vi Obama dizendo o que disse, passei a resolução para a gaveta", afirmou o venezuelano. "Se [ele] nos respeitar, nós o respeitaremos, mas se ele pretende continuar nos desrespeitando, enfrentaremos o império em qualquer terreno", avisou.Os dois presidentes se encontrarão pela primeira na Cúpula das Américas, em 16 e 17 de abril em Trinidad e Tobago, na qual Chávez disse que pressionará pelo fim do embargo americano a Cuba.

Marcos Valério negocia delação premiada no mensalão

O Ministério Público Federal e os advogados de Marcos Valério Fernandes de Souza negociam um acordo de delação premiada que pode beneficiar o principal personagem do mensalão e, ao mesmo tempo, trazer à tona novos documentos e provas sobre os negócios do empresário mineiro.Os entendimentos são mantidos sob rigoroso sigilo.
As partes não confirmam a existência das consultas e deverão negar formalmente as conversas nesse sentido."Não temos nada a declarar sobre o assunto", afirmou o advogado Marcelo Leonardo, em seu nome e de seu cliente Marcos Valério.A Procuradoria Geral da República, em Brasília, limita-se a informar que não há nenhuma providência a respeito no STF (Supremo Tribunal Federal) e que o acompanhamento do caso cabe ao Ministério Público Federal em Minas Gerais.A hipótese de Valério acrescentar informações relevantes sobre seus negócios deve preocupar petistas e tucanos. O publicitário foi figura central no esquema de pagamentos a deputados do PT e de partidos da base aliada do governo Lula.
A viabilidade de um acordo pode encontrar resistências no Supremo. Como está em tramitação a ação penal contra os 39 réus do mensalão, cabe ao relator Joaquim Barbosa decidir sobre o pedido. Sabe-se que o ministro não tem restrições ao uso do instrumento da delação premiada pela Justiça -ao contrário, defende que esse instituto deveria ser mais utilizado. Já houve, inclusive, homologação de acordo de delação premiada no mensalão. Para a concessão de benefícios, contudo, a decisão dependeria dos votos dos demais ministros do STF.
O tempo trabalha contra Valério e o acordo seria uma última tentativa de evitar uma volta à prisão. A ação penal do mensalão concluiu a fase de interrogatórios dos réus e depoimentos de testemunhas de acusação e contém dezenas de laudos periciais. Sua condenação é tida como certa, quando não caberia mais recurso, pois o STF é a última instância.A Procuradoria, por sua vez, vislumbraria a possibilidade de reunir provas substanciais, pois acredita que Valério ainda tem munição para engrossar as acusações contra os 38 demais réus do mensalão, ou para ampliar esse rol de acusados, abrindo a possibilidade de novas denúncias. Outra hipótese seria recuperar recursos no exterior supostamente desviados pelo operador do mensalão.O recurso da delação premiada já foi tentado em 2005 por Valério e recusado pelo procurador-geral, Antonio Fernando Souza, quando o empresário prestou depoimento espontâneo na Procuradoria Geral da República. Na ocasião, Souza achou que "o momento não era oportuno". Na denúncia (acusação formal) do mensalão ao Supremo, o procurador-geral chegou a afirmar que o empresário manifestava "pseudo-interesse em colaborar com as investigações".Uma circunstância que pode dificultar o acordo: o Ministério Público Federal não tem como assegurar determinados benefícios ao réu, pois depende de aprovação posterior pelo STF, e a defesa de Valério considera "cláusula inegociável" ele continuar em liberdade, mesmo condenado.A delação premiada é um trato entre a acusação e a defesa. Cabe à Justiça manter o sigilo sobre seus termos. Ela permite a possibilidade de o acusado não ser denunciado (benefício que não cabe mais, no caso); a redução ou isenção da pena e a proteção ao delator (semelhante à que é garantida a testemunhas ameaçadas).Esses acordos são firmados pelos representantes do Ministério Público, pelos advogados do réu e pelo acusado, sendo submetido, em seguida, à homologação judicial, ou seja, a aprovação do juiz do processo.
Há duas versões para o noticiário recente sobre ameaças de morte e violências que Marcos Valério teria sofrido no presídio de Tremembé, em São Paulo -com explicações não convincentes de sua defesa e ausência de registros dessas agressões nos órgãos de segurança do governo do Estado.Atribui-se as ameaças de Valério "contar tudo o que sabe" a uma tentativa de pressão, diante do suposto não pagamento de dívidas do PT em relação ao seu ex-financiador.A outra hipótese: seria um "balão de ensaio", tentativa de Valério de criar um fato para demonstrar que corre risco de retaliações, e com isso abrir margem para o acordo da delação premiada, que expõe o acusado perante os outros réus.

Serra lidera com folga disputa à sucessão presidencial

O governador paulista, José Serra (PSDB), mantém ampla liderança em todos os cenários sobre a sucessão presidencial de 2010, com taxas que variam de 41% a 47%, indica pesquisa do Instituto Datafolha.
No entanto, segundo a pesquisa, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT), voltou a crescer, de 3 a 4 pontos percentuais, dependendo da situação.
No primeiro cenário do Datafolha são apontados como candidatos, além de Serra (41% das intenções de voto) e Dilma (11%), o deputado federal Ciro Gomes (PSB), que oscilou um ponto e teria hoje 16%, e a ex-senadora Heloísa Helena (PSOL), que perdeu três pontos e aparece com 11%.
Hoje, Serra seria mais bem votado no Sudeste (45%) e no Sul (44%) e menos votado no Nordeste (34%). Já Dilma tem melhor desempenho no Nordeste (14%) e no Centro-Oeste (13%) e o pior no Sudeste (9%).
Crise
A piora da crise econômica mundial fez a aprovação ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva cair cinco pontos percentuais --de 70% para 65%, segundo a pesquisa.
O levantamento revela também que o percentual de brasileiros que tomaram conhecimento da crise subiu de 72% para 81%, em relação a última pesquisa divulgado em novembro do ano passado.
O Datafolha ouviu 11.204 pessoas entre os dias 16 e 19 de março. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. Em pesquisa para o governo dos Estados, Alkminin figura no primeiro lugar na pesquisa, para o Governo de São Paulo.
Veja a pesquisa completa na edição da Folha.