sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Deputada teria embolsado R$ 500 mil desviados do Ministério do Turismo.

Depoimentos prestados à Polícia Federal durante a Operação Voucher, aos quais o Jornal Nacional teve acesso, apontam que a deputada federal Fátima Pelaes (PMDB-AP) teria recebido recursos desviados do Ministério do Turismo.
A Operação Voucher, desencadeada na última terça-feira (9) prendeu 36 pessoas, entre elas o secretário-executivo do Ministério do Turismo, Frederico da Silva Costa, o segundo na hierarquia da pasta.
Por meio de uma nota divulgada na noite desta quinta (11), a deputada negou as irregularidades e considerou como “caluniosas” as denúncias.
A deputada é autora de uma emenda parlamentar que destinou R$ 4 milhões para projetos de qualficação profissional na área de turismo no Amapá.
De acordo com a PF, foram desviados cerca de R$ 3 milhões de um contrato de R$ 4,4 milhões entre o ministério e a ONG Instituto Brasileiro de Desenvolvimento de Infraestrutura Sustentável (Ibrasi). A finalidade desse contrato, serviu de base para a deflagração da Operação Voucher pela PF, era a formação de 1,9 mil agentes de turismo no Amapá.
O Jornal Nacional teve acesso a três depoimentos prestados à Polícia Federal. Todos mencionam a deputada federal como suposta beneficiária do esquema. Um dos depoentes afirmou que ela ficaria com a maior parte do dinheiro. Outro, com R$ 500 mil. (G1)

Com emendas...sem crise!

O vice-presidente da República, Michel Temer, afirmou nesta quinta-feira (11), em São Paulo, que “não há” crise na base aliada do governo no Congresso Nacional. Segundo ele, a relação do governo federal com o Congresso é de uma "harmonia absoluta".
“Não há [crise]. Essas relações do Executivo e do Congresso se baseiam, muitas vezes, em alguns pequenos acidentes. Mas nada que preocupa”, disse Temer.
Questionado se a base aliada está unida para evitar a instalação da CPI mista da Corrupção, o vice-presidente disse que não acredita que a comissão seja intalada.
“Todos que conversaram conosco. Aparentemente, não pretendem constituí-la. Mas esta é uma decisão do Congresso Nacional. Nós, do governo, não temos que dar palpite sobre isso”. (G1)

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

A assombrosa entrevista em dilmês.

Celso Arnaldo captura a presidente durante a assombrosa entrevista em dilmês castiço: ‘O povo brasileiro não tinha nem casinha’
Quase tudo o que se lê atribuído à Dilma, quando transcrito literalmente, parece trote, pegadinha, erro de transcrição – porque decididamente não é possível que uma pessoa que tenha curso superior, só não é doutora por um triz e chegou à presidência da República do país que é a “oitava economia do mundo” se expresse desse jeito.
Além de falar uma espécie de patois brasileiro, pouco assemelhado à língua culta do país que preside, faz associações de palavras que não seriam usadas por um aluno de escola fundamental numa redação.
As improváveis “casas de papel”, objeto de sanatório nesta coluna, se enquadram na categoria.
Mas Dilma disse exatamente isso – foi numa entrevista concedida às rádios Grande Rio AM (Petrolina/PE) e Juazeiro AM (Juazeiro/BA) semana passada. E a transcrição está no próprio Blog oficial do Planalto, que agora reproduz ipsis literis, sem tirar nem pôr, ao lado da gravação eletrônica, discursos e entrevistas da presidente Dilma.
Justiça seja feita, é uma extraordinária contribuição do poder público aos raros abnegados da iniciativa privada que se dedicam à pesquisa e ao estudo do dilmês, antes obrigados a despender tempo, energia e massa cinzenta para fazer uma transposição mais penosa que a do Rio São Francisco.
A resposta da “casa de papel” ao radialista baiano foi exatamente esta:
– Mas o povo brasileiro não tinha nem casinha. O povo brasileiro tinha o quê?
Morava em casas de papel, em palafitas.
Esta casinha, como você está dizendo – imagino que a sua casa seja grande.
Repare: ela não fala em casas de papelão, que eventualmente devem existir até a 20 quilômetros do Palácio do Planalto, mas de papel mesmo — sulfite, almaço, embrulho, jornal.
E palafitas eram da cota de FHC?
Depois de quase nove anos de governo Lula/Dilma, a “stilt house” ainda é um “brazilian housing style” no rigor da moda em quase todos os estados do norte ou nordeste.
E notou uma ponta de sarcasmo na resposta?
Lógico, madame ficou irritada com a pergunta do jornalista:
– Por casinha?
O jornalista só queria confirmar a estranha sequência de números apresentada por Dilma na resposta anterior, ao falar do custo dos imóveis e garantir que, no Brasil Maravilha, há um canteiro de obras com três milhões de construções para quem não tem casa:
– Isso hoje ocorre. E mais: ocorre para a população que não tem dinheiro.
 Qual é essa população que não tem dinheiro?
 Não é que ela não tenha nenhum, é que a conta não fecha.
Por que a conta não fecha?
Hoje uma casa, em média, que nós pagamos pela Caixa Econômica Federal – e aqui está o presidente da Caixa – ela fica em torno de 50, 51, 52 mil reais.
Ou seja: Dilma tenta explicar que a população que não tem dinheiro para comprar uma casa é justamente aquela que não tem dinheiro.
ÁGUA DE RIO É DOCE
 Além da “casinha”, Dilmona ficou engasgada com outra pergunta que não quer calar: o 1 milhão de casas do PAC 1 já foi entregue antes de se anunciarem os 2 milhões do PAC 2?
–Não, uai. Elas foram contratadas. Você acha que a gente contrata e entrega? Não. Você contrata, constrói e entrega.
Taí: explicado, enfim, porque o 1 milhão de casas do PAC 1 mais os 2 milhões do PAC2 até hoje só se materializaram em pouco mais de 200 mil moradias, ou um pouco menos, contando as já inabitáveis e as que não estão mais de pé — há casos no nordeste. Entre contratar e entregar – o Brasil ainda não sabia disso e injustamente a questionava – há uma etapa intermediária relativamente importante: construir.
As casas de papel da frase non sense de Dilma não passam de figura de linguagem, mas parecem verdade. As casas do PAC da Dilma parecem de verdade, mas não passam de figura de linguagem. São as casas no papel.
E muitas das que saíram do papel têm a marca das construções verbais de Dilma – desmancham ao primeiro retoque, daí a necessidade de se mantê-las, as casas e as falas, como foram concebidas.
Foi fartamente noticiado: os primeiros moradores do Residencial São Francisco, do Minha Casa Minha Vida em Juazeiro, foram orientados a não fazer reformas no imóvel, sob risco de “danos à solidez”.
 Já houve desmoronamentos em outros conjuntos. Os imóveis, construídos com a tecnologia “alvenaria estrutural”, sem pilotis, já foram apelidados no Nordeste de “prédios-caixões”, talvez porque se desfaçam como ataúdes enterrados — depois de naturalmente fazerem a fortuna da companheirada muito viva.
A transcrição da entrevista no Blog do Planalto continua palavra a palavra, sem chapiscos ou rejuntes, e Dilma segue encafifada com a ofensa da “casinha”:
–Eu acho que ela não pode ser desmerecida, porque eu tenho certeza de que para qualquer pessoa que obtenha a sua casa própria, ter um teto onde criar seus filhos é algo muito importante.
Mas o repórter – longe de ser chapa branca – insiste: dos 3 milhões de casonas dos PACs 1 e 2, quantas já foram entregues?
– Aqui foram 1.500… Esse é um processo que não é automático, porque você leva, em média… você leva em média… antes você levava, em média, 33 meses. Hoje nós reduzimos isso.
Que tal mudar de assunto? Além de casa, a população nordestina precisa de água – não no papel, mas nos canos.
- Bom, se for água para a população rural, ela terá acesso pelo nosso projeto de 750 mil cisternas, privilegiando aqui a região do semiárido, ela vai ter acesso a esse programa, que nós queremos fazer em dois anos – 350 mil este ano e 350 mil…. em torno de 350 mil este ano e o restante no ano que vem. Agora, eu acho…
Mais um número a ser anotado: 750 mil cisternas, líquidas e certas, em dois anos.
Eu acho…
 No mínimo, vai ter água doce suficiente para enxaguar as barbas de Antonio Conselheiro, de molho desde Canudos:
– Aquela música que a gente escutava ou aquela… uma espécie de tema muito recorrente, que “o sertão vai virar mar”. Eu não digo que vai virar mar porque a água não é salgada, mas que o sertão vai ter acesso à água que não tinha, vai ter.
E a transposição do velho Chico, presidenta, sai ou não sai?
 Sai aos pedaços:
– Aí você conclui mais outro, porque a conclusão, não vão ser todas num momento só. Uns vão concluir primeiro, outros vão concluir num segundo momento e outros num terceiro momento.
Não deu para entender?
– O que nós vamos garantir sempre é que a cada fase que nós façamos, nós concluamos e coloquemos água à disposição. O que é muito importante…
Resolvido para sempre o problema da água doméstica no nordeste, só uma palavrinha sobre a nova política de irrigação:
– Essa política, eu pretendo que nós tenhamos condições de lançá-la no final de agosto ou no início de setembro, até metade de setembro nós lançaremos – pode ser um pouco antes, mas não vai ser um pouco depois.
Desconfio que, longe do papel, será muito depois. (Augusto  Nunes )

E o timinho perdeu novamente.

Um time mal escalado, sem disciplina tática e com uma defesa que quando não erra se equivoca, a seleção brasileira de futebol enfrentou e perdeu por 3 x 1 d seleção da Alemanha,em Stuttgart.
Paulo Henrique Ganso foi barrado, Neymar teve pouca inspiração, Lucio mostrou que está às portas da aposentadoria. No mais, uns tais de Ralf e Fernandinho, dupla que se não jogasse o pouco futebol que apresentarm, ontem, estariam melhor para a música sertaneja, afinal, dançaram na Alemanha.
A derrota não foi maior porque a seleção alemã jogou sem seus melhores atletas, no momento.
Resta saber se o torcedor brasileiro que quer ser campeão em 2014, jogando aqui no Brasil, terá que "engolir" o senhor Mano Menezes.
É, o timinho ainda está desorientado. Que tal mudar o treinador, hein?

Oração do Joãozinho.

- Senhor todo poderoso: há 2 anos o Senhor levou meu cantor favorito ,Michael Jackson! Meu locutor favorito, Lombardi! Meu ator preferido, Patrick Swayze! Minha dançarina preferida, Lacraia!
Neste ano levou minha cantora favorita Amy Winehouse!
Quero lembrar ao Senhor que meus políticos preferidos são: Lula, Sarney, Dilma, Collor, Renan, Jader, Maluf...( coloque-os, Senhor, na ordem de sua preferência)   
Respeitosamente,
Joãozinho

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

A influência de Palocci no Ministério do Turismo.

Na revista Época online:
Nas primeiras semanas do governo Dilma Rousseff, como chefe da Casa Civil, Palocci trabalhou diretamente para que Frederico da Costa (foto) fosse promovido a secretário-executivo e Mário Moysés fosse mantido na presidência da Embratur.
 Na gestão anterior, Costa era secretário nacional de programas de desenvolvimento do turismo e Moysés acumulava a presidência da Embratur e a secretaria-executiva do ministério.
As nomeações para os principais cargos do Turismo foram feitas no contexto da disputa entre PT e PMDB pelos cargos de segundo escalão, no início do governo Dilma.
Partiu de Palocci a decisão de não demitir Frederico da Costa, em janeiro, quando ÉPOCA revelou que o homem escalado para o segundo cargo mais importante do ministério estava envolvido em uma série de irregularidades.
Entre outras coisas, durante o governo anterior, Costa liberou dinheiro que beneficiou empreendimentos de sua família em Goiás.
Também foi denunciado à Justiça por participação em uma fraude com dinheiro da Sudam e citado em relatório do TCU que apontou mais de 30 irregularidades em convênios com ONGs.
Quando liberou o dinheiro para a empresa da família, Frederico da Costa era  secretário nacional de Programas de Tesenvolvimento do Turismo, um dos cargos mais importantes do ministério.
Depois de segurar Costa, Palocci brigou pela manutenção do amigo Mário Moysés na presidência da Embratur.
Recentemente, Moysés foi substituído por Flávio Dino, ex-deputado do PCdoB.
*Leia mais:

Dono de grande empresa varejista é condenado a três anos de prisão.

São Paulo - O empresário Ricardo Nunes (foto), sócio da holding Máquina de Vendas – fusão das ras lojas de eletrodomésticos Insinuante e Ricardo Eletro, foi condenado a três anos e quatro meses de cadeia. A sentença, no entanto, é em primeira instância e ainda cabe recurso. Ricardo foi punido por corrupção ativa.
Segundo reportagem do jornal "Valor Econômico", o empresário é acusado de ter subornado o auditor da Receita Federal Einar de Albuquerque Pismel Júnior para que ele não autuasse sua empresa.
O dono da empresa vai recorrer ao Tribunal Regional Federal (TRF), mas está em liberdade. Já o auditor está preso desde setembro do ano passado, condenado a quatro anos de prisão, após ser flagrado saindo da sede da Ricardo Eletro com R$ 50 mil e US$ 4 mil em espécie.
Nunes, que responde a ação em liberdade, é acusado de pagar propina ao fiscal da Receita em São Paulo para que não fosse autuado por sonegação fiscal. O advogado do empresário, Nélio Machado, já entrou com recurso no Tribunal Regional da 3ª. Região em São Paulo para anular a condenação. Para o advogado, o empresário foi "vítima de extorsão" pelo fiscal federal.
A condenação do auditor se deu após ele ser preso em flagrante em setembro do ano passado com cerca de R$ 60 mil, em notas de reais e dólares, na saída de uma loja da Ricardo Eletro em São Paulo.
A polícia também encontrou mais dinheiro (reais, dólares e euros) e uma máquina de contar notas em sua casa. Os advogados de Albuquerque recorreram, mas ainda não conseguiram um habeas corpus.
Nunes e Albuquerque foram condenados por corrupção no dia 13 de junho de 2011 pelo juiz Hélio Egydio Nogueira.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Escândalo no Ministério do Turismo: Marta Suplicy se esconde no banheiro para não falar com jornalistas.

Por Maria Lima em O Globo:
BRASÍLIA - Responsável pela nomeação do ex-presidente da Embratur Mário Moysés, preso nesta terça-feira na Operação Voucher, a senadora Marta Suplicy (PT-SP) chegou a se esconder no banheiro do cafezinho do plenário para fugir dos jornalistas.
 Impecável num tailler vermelho, Marta se encastelou na cadeira de presidente de olhos grudados no computador enquanto os senadores da Oposição se revezavam para criticar o novo escândalo de desvio de cerca de R$4 milhões no Ministério do Turismo, durante parte de sua gestão na pasta. Mário Moysés foi braço direito de Marta em São Paulo, inclusive em suas campanhas políticas.
 Mas ela se negou o tempo todo a falar sobre o rombo na pasta que administrou.
Durante todo o tempo em que ela presidiu a sessão, Marta se manteve com cara de amuo.
Quando o senador Mário Couto (PSDB-PA) falou de "ladrões" no Ministério do Turismo, citando as prisões de Frederico e Mário Moysés, Marta virou o rosto para o outro lado e ficou fazendo cara de impaciência.
- Malditos aqueles que roubam!
Mas vão pagar, doa a quem doer, presidenta! -
bradava Mário Couto, enquanto Marta nem se movia na sua direção, mantendo os olhos fixos na tela do computador a sua frente.
Por volta das 17 horas, quando o presidente José Sarney(PMDB-AP) chegou ao plenário para presidir a ordem do dia, ela não se levantou da cadeira.
Ele teve que ficar por alguns minutos em pé no plenário enquanto Marta, atabalhoadamente tentava ela mesma presidir a ordem do dia.
 Mas, nervosa, começou a discutir uma matéria, sem sequer anunciar a abertura da ordem do dia.
- Para começar a ordem do dia, Vossa Exelência tem que primeiro anunciar a abertura da ordem do dia - repreendeu Mário Couto.
- Vou abrir, vou abrir - disse Marta.
Quando Sarney subiu à Mesa e retomou seu lugar, Marta continuou sentada ao seu lado, enquanto o grupo de jornalistas a aguardava embaixo. Por fim, ela saiu da Mesa, mas refugiou-se no banheiro do cafezinho.
Os jornalistas se deslocaram então para a porta do banheiro e esperaram por mais de 20 minutos enquanto ela despachava lá dentro com assessores.
Quando finalmente ela saiu do banheiro, caminhou a passos largos fingindo que falava ao celular, ignorando as perguntas dos jornalistas sobre a prisão de seu homem de confiança.
- Não vou falar, tudo que tinha a dizer já falei - negou-se Marta, subindo novamente para a Mesa.

PF faz devassa no Ministério do Turismo.

E agora, Pedro Novais?
A Polícia Federal (PF) prendeu, nesta terça-feira, em Brasília, São Paulo e no Amapá, 38 pessoas suspeitas de participar de um esquema de corrupção no Ministério do Turismo. Entre os presos está o secretário-executivo da pasta, Frederico Silva da Costa, que foi detido em casa. Também foram presos o secretário nacional de Desenvolvimento de Programas de Turismo, Colbert Martins da Silva Filho, que é ex-deputado federal pelo PMDB, o ex-presidente da Embratur, Mário Moysés, empresários, diretores e funcionários do Instituto Brasileiro de Desenvolvimento de Infraestrutura Sustentável (Ibrasi).
A Operação Voucher foi deflagrada no início da manhã desta terça com o objetivo de combater um esquema de desvio de recursos públicos destinados ao Ministério do Turismo por meio de emendas parlamentares ao Orçamento da União. Há fortes indícios de desvio de recursos públicos e outras ilicitudes na execução de um convênio de capacitação profissional, firmado em 2009 entre o Ministério do Turismo e o Ibrais no Amapá, informou a assessoria da corporação. O valor do contrato é de 4,4 milhões de reais.
A cúpula do PMDB ficou surpresa ao receber a notícia da prisão de representantes do Ministério do Turismo, comandado pelo partido. O vice-presidente, Michel Temer, conversou nesta terça-feira com o presidente da legenda, Valdir Raupp, e demonstrou sua preocupação com o caso. “Ficamos surpresos. Queremos entender o motivo da prisão do ex-deputado federal Colbert Martins. Ele está no ministério há cinco meses e o fato parece ter ocorrido em 2009”, disse Raupp. (veja)
ATUALIZAÇÃO: O PMDB reagiu à operação da Polícia Federal que prendeu, nesta terça-feira, 38 pessoas do Ministério do Turismo. Os peemedebistas afirmaram que as irregularidades na pasta aconteciam antes da administração de Pedro Novais (PMDB) - afilhado político de José Sarney (PMDB-AP). O ministro do Turismo, Pedro Novais, conversou hoje com a ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, por telefone, e disse que está empenhado em esclarecer tudo. Os dois concordaram que o alvo não é ele, porque se tratam de questões de 2009. O ministro vai ainda hoje se reunir com a presidente Dilma para prestar esclarecimentos. ( O Globo )

O deputado e o laboratório

Geraldo Thadeu, em foto da Revista Época
Que os políticos pouco se preocupam com fidelidade partidária, todo mundo sabe. O comportamento-padrão da maioria é pautar-se prioritariamente por interesses particulares ou corporativistas. Isso ocorreu em maio na votação do Código Florestal, quando deputados da bancada ruralista ignoraram a vontade do governo e dos partidos e seguiram a orientação da “categoria”.
Algumas relações, porém, ultrapassam o mero interesse de classe. Esse parece ser o caso do deputado federal mineiro Geraldo Thadeu, um ex-tucano que hoje está filiado ao pós-comunista PPS, mas já assinou o ato de criação do PSD, o partido que está sendo montado pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab. Atos, decisões, declarações e até doações dadas e recebidas por Thadeu sugerem que sua fidelidade maior é a um grupo empresarial comandado pelo empresário Fernando Marques, dono do laboratório União Química Farmacêutica.
Numa atitude classificada como ilegal por procuradores da República, Thadeu cedeu a Fernando Marques cerca de R$ 100 mil da cota de passagens aéreas que a Câmara lhe dá para o exercício do mandato parlamentar. Tudo pago com dinheiro público. Cópias de bilhetes, vouchers e planilha de gastos comprovam o uso indevido das passagens no Brasil e no exterior. Isso ocorreu entre 2006 e 2008. Além de Marques, foram beneficiados outros funcionários da União Química. Um deles, Daniel Tavares, entregou a documentação à reportagem.
Tavares foi assessor parlamentar de Thadeu. Ele diz que o deputado o escalou para ficar à disposição de Marques toda vez que o empresário desembarcasse em Brasília. Tavares se aproximou tanto de Marques que acabou trocando de emprego. Virou assessor do empresário na União Química, a quem acompanhava em audiências públicas, uma delas com o presidente Lula. No começo do ano passado, Tavares saiu brigado da empresa. Não quis dizer o porquê.
Daniel Tavares faz mais acusações. Ele garante que participou da entrega de duas picapes importadas para o deputado Thadeu. Diz que foi uma retribuição de Fernando Marques à cota de passagens doada pelo parlamentar. Diz ainda, sem apresentar provas, que fez vários pagamentos a Thadeu a pedido de Fernando Marques.
* Clique e leia mais na revista Época