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sábado, 14 de fevereiro de 2015
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015
Dilma colhe o que plantou.
O presidencialismo de coalizão à moda lulopetista é
um arranjo que, mediante escancarado toma lá dá cá, garante ao Executivo
maioria de votos no Parlamento para a aprovação de matérias de seu
interesse.
Esta é a teoria.
Na prática, Dilma Rousseff tem demonstrado que, apesar de ter aparelhado a
administração pública a ponto de exibir, nominalmente, uma confortável maioria
parlamentar, seu governo se tornou, por culpa dela própria, incapaz de influir
decisivamente nas votações mais importantes das duas Casas do Congresso
Nacional.
Sua mais recente e retumbante derrota foi a aprovação pela Câmara dos Deputados
da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que cria o cognominado “Orçamento
impositivo”.
Para que serve, então, a ampla “base aliada” que custou à presidente Dilma
Rousseff muitas nomeações ministeriais que certamente teve de engolir consolada
apenas pela ideia de que estaria garantindo apoio no Parlamento?
A desastrada experiência do Palácio do Planalto com seus supostos aliados
revela que o presidencialismo de coalizão não prescinde de uma liderança
politicamente capaz de aliciar apoiadores minimamente fiéis, tarefa para a qual
Dilma não demonstra competência nem disposição. E essa deficiência é agravada
pelo perfil pouco conciliador de alguns dos ministros que passaram a compor o
núcleo duro do poder.
A rejeição dessa PEC das emendas individuais era importante para o ajuste
fiscal que o governo está promovendo como precondição para a reconquista da
confiança da sociedade, em particular do mercado e dos investidores,
indispensável à retomada do crescimento econômico e das consequentes conquistas
sociais.
A PEC aprovada pelos deputados, em boa medida movidos por interesses próprios,
já passou pelo Senado e torna obrigatória a execução de emendas apresentadas
por parlamentares ao Orçamento da União. Essas emendas são o principal
instrumento por meio do qual senadores e deputados atendem a reivindicações de
suas bases eleitorais.
Agora, com a obrigatoriedade da liberação dessas emendas, o governo fica
impedido, num momento em que o controle das contas públicas é sua prioridade
número um, de economizar com o congelamento dos recursos que dão prestígio
local aos parlamentares, mas não dinamizam a economia nem melhoram a
infraestrutura.
Depois da queda, o coice. Aprovada a emenda, o relator do Orçamento de 2015
anunciou a seus colegas que estreiam no Congresso que disporão de R$ 10 milhões
cada um para beneficiar suas paróquias. Será a primeira vez que os novatos emendarão
uma proposta de orçamento feita quando não eram parlamentares.
Esse novo capítulo das desventuras da presidente da República é apenas mais um
passo que o PMDB dá com o objetivo de “marcar o terreno” e demonstrar que,
daqui para a frente, é dele a hegemonia no Parlamento. É o troco que os
peemedebistas estão dando ao que consideram relacionamento desigual e desleal
que lhe foi imposto pelos petistas.
E, como que a dar razão às queixas dos peemedebistas, o PT no governo estimula
a criação de novas legendas de aluguel, como a que está sendo articulada pelo
ministro Gilberto Kassab com o objetivo claro de enfraquecer o PMDB no
Congresso. Mas nada disso fica sem troco.
Uma das novas dores de cabeça que Dilma e o PT enfrentarão é o projeto de
reforma política gestado pelo PMDB que o presidente da Câmara, Eduardo Cunha,
introduziu na agenda da Casa, instalando uma comissão especial para examiná-lo
e entregando a presidência para um deputado da oposição, o fluminense Rodrigo
Maia (DEM), e a relatoria a um parlamentar de sua confiança, Marcelo Castro
(PMDB-PI).
Assim o PT fica privado de exercer influência mais forte na discussão de um
projeto que incorpora propostas que rejeita, por não contemplarem seu projeto
de poder.
O comportamento do Parlamento daqui para a frente abre perspectivas sombrias
para um governo que só tem recebido más notícias. Desde que tentou, estimulada
por seus colaboradores mais íntimos, eleger um cupincha para a presidência da
Câmara, Dilma só conhece derrotas contundentes no Congresso.
Todas as tundas lhe foram dadas por seus aliados. Nenhuma pela
oposição.
*Editorial do Jornal O Estado de São Paulo.
Ex-diretor da Petrobrás cita propina de R$ 400 mil para Vacarezza.
Delator afirma que soube de repasse para ex-líder do governo na Câmara durante reunião com lobista no Rio.
O ex-diretor da Petrobrás, Paulo Roberto Costa, afirmou em sua delação premiada no ano passado que o ex-deputado e ex-líder do governo na Câmara, Cândido Vacarezza (PT), teria recebido propina de R$ 400 mil por um contrato de importação de asfalto da Petrobrás com a empresa Sargent Marine.
Costa disse que foi informado da propina ao político em uma reunião, “no ano de 2009 ou 2010″, na residência do lobista Jorge Luz, que lhe apresentou a Sargent Marine, no Rio de Janeiro. O ex-diretor, na época à frente da diretoria de Abastecimento, afirmou que foi o responsável por convidar a empresa que firmou o contrato com a estatal petrolífera sem licitação.
Vacarezza nega com veemência ter recebido valores ilícitos e assinala que “nunca apresentou empresa para Paulo Roberto Costa”.
Paulo Roberto Costa admitiu ter recebido US$ 192,8 mil em propina na Suíça pelo contrato, em uma conta da offshore OST, cujo diretor é seu cunhado Humberto Mesquita. A mulher, duas filhas e os dois genros do ex-diretor também são réus na Lava Jato acusados de participar do esquema de corrupção e lavagem de dinheiro articulado por ele, além de prejudicar as investigações da Lava Jato.
Atualmente, Costa cumpre prisão domiciliar em um condomínio de luxo no Rio de Janeiro.
COM A PALAVRA, CÂNDIDO VACAREZZA.
Cândido Vacarezza condenou as acusações de Costa na delação.”Esta informação me inocenta, é um disse que me disse, nunca pedi nada ao Paulo Roberto Costa e ele nunca me deu nada. Nunca apresentei empresa ao Paulo Roberto Costa, e se o Jorge luz disse que haveria propina tem que cobrar do Jorge Luz e não de mim”, afirmou o ex-parlamentar.
Jorge Luz não foi encontrado para comentar o caso.
VEJA O TRECHO DA DELAÇÃO QUE CITA VACAREZZA:
Clique na imagem para ampliar
*Por Mateus Coutinho e Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba, no Estadão.
Quem é "Bob"?
Ao afirmar em delação premiada que José Dirceu e João Vaccari Neto eram os responsáveis no PT por receber as propinas de três empreiteiras envolvidas no esquema operado por Júlio Camargo, Alberto Youssef limitou-se a dizer que, na planilha de contabilidade dos pagamentos de propina e caixa dois de Julio Camargo, Dirceu é identificado como “Bob”.
Trata-se de Roberto Marques, o mesmo Bob Marques dos tempos do mensalão. Homem de confiança de José Dirceu, um de seus principais assessores em São Paulo, e que, em 2005, recebeu uma autorização para sacar 50 000 reais de uma das contas de Marcos Valério no Banco Rural.
*Por Lauro Jardim, na Veja online
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015
Delator detalha R$ 1,2 bi em propina para PT e executivos.
Editoria de arte: Folhapress
Os 89 maiores contratos da Petrobras foram a fonte para um volume total de propina que chega a R$ 1,2 bilhão, segundo valores contidos em planilha entregue aos procuradores da Operação Lava Jato por Pedro Barusco, ex-gerente da petroleira, e corrigidos pela inflação do período.
Os contratos listados por Barusco somam R$ 97 bilhões. O suborno equivale a 1,3% deste valor. Em depoimento que prestou após acordo de delação premiada, o ex-gerente citou que a propina variava de 1% a 2% do valor contratado.
A tabela de cinco páginas detalha em que acertos houve propina, quem pagou, o nome do intermediário, em que data e como o dinheiro foi dividido entre o PT, o ex-diretor de Abastecimento, Paulo Roberto Costa, o ex-diretor de Serviços, Renato Duque, e o próprio Barusco.
Duque ocupou o cargo por indicação do PT, o que seus advogados negam.
No acordo que assinou, Barusco se comprometeu a devolver US$ 97 milhões que recebera de suborno.
De acordo com a planilha, o PT ficou com a maior parte dos recursos: R$ 455,1 milhões, equivalente hoje a US$ 164 milhões. O partido nega ter recebido doações ilegais.
No depoimento aos procuradores, Barusco disse que a parte do suborno que ficara com o PT era de US$ 150 milhões a US$ 200 milhões.
A empreiteira que mais pagou propina, segundo a lista de Barusco, é a Engevix. A empresa ocupa essa posição porque conquistou o maior contrato citado pelo ex-gerente na planilha, de R$ 9 bilhões, para a construção de cascos de navio para a exploração do pré-sal.
Nesse caso, detalha Barusco, a propina foi de 1% do valor do contrato (R$ 90 milhões), dividida em partes iguais entre o PT e a diretoria de Serviços da estatal.
Os pagamentos listados ocorreram entre maio de 2004 e fevereiro de 2011, nos governos Lula e Dilma Rousseff.
Os dados mostram que a maior parte da propina foi paga em 2010, ano da primeira eleição de Dilma. De acordo com a tabela, foram embolsados R$ 374 milhões. Desse total, o PT teria ficado com R$ 120 milhões.
METÓDICO
O material apresentado por Barusco é organizado ao ponto de apresentar os centavos de obras bilionárias da Petrobras. Onze agentes que intermediavam a propina são mencionados, entre os quais Julio Camargo –ligado à empresa Toyo Setal e também delator do esquema– e Idelfonso Colares, presidente da Queiroz Galvão até 2013.
Já na coluna sobre a divisão do suborno, Barusco usa códigos: "part" para Partido dos Trabalhadores, "PR" para Paulo Roberto Costa e "casa" para identificar a diretoria de Serviços.
Em alguns casos, a divisão da "casa" aparece detalhada. Em uma obra na refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, por exemplo, há a indicação "(0,6MW 0,4Sab)" ao lado do registro de uma propina de 1% para a diretoria.
"MW" é uma referência a Renato Duque, a quem Barusco se referia como "My Way", título de canção interpretada por Frank Sinatra. "Sab" identifica o próprio ex-gerente da Petrobras, numa alusão a Sabrina, nome de uma ex-namorada, segundo ele relatou à Polícia Federal.
Assim, só nesse contrato Duque levou R$ 7,9 milhões e Barusco, R$ 5,3 milhões.
*MARIO CESAR CARVALHO E GABRIELA TERENZI, DE SÃO PAULO, NA FOLHA.
1% da vazão do Amazonas eliminaria falta de água no NE e SE, diz CPRM.
Transposição de águas do Rio Amazonas é apontada como solução para crise hídrica (Foto: José de Oliveira/TV Amazonas)
Especialista defende amplo debate para definir tipo
de obra e impactos. Serviço Geológico diz que AM dispõe de vazão mil vezes o
que necessita SP.
A Superintendência Regional do Serviço
Geológico do Brasil (CPRM) informou que é possível levar água do Rio Amazonas -
um dos maiores do mundo - para São Paulo e outros estados que sofrem com falta
d'água no Brasil. Especialista diz que 1% da vazão do rio daria para abastecer
Nordeste e Sudeste do país. O órgão defende que os tipos de obra e intervenção
merecem amplo debate. A
proposta sugerida pelo governador do Amazonas, José Melo (PROS), nesta semana, gerou polêmica e também foi alvo de críticas em redes
sociais.
Os grandes rios estão longes das grandes concentrações
populacionais do país. Os problemas com abastecimento de água poderiam ser
solucionados com obras que levassem água do Rio Amazonaspara as regiões afetadas, de
acordo com o superintendente regional do CPRM, Marco Antônio Oliveira.
"Claro que é
um assunto bastante polêmico, envolve questões ambientais. Tem uma reação muito
grande de quem é contra, mas acho que temos que debater esse tema porque a
Bacia Amazônica concentra mais de 90% da água doce do Brasil, sendo que aqui a
população não representa 10% da população total brasileira. Enquanto as regiões
Sudeste e Nordeste concentram quase 80% da população e tem uma disponibilidade
hídrica de menos de 15%, ou seja, há um desequilíbrio entre a oferta de água e
a demanda. Temos que olhar esse aspecto com muita seriedade, porque energia tem
solução, mas não tem solução para fabricar água. É preciso deslocar água para
onde falta", justificou o representante do órgão que monitora dados
geológicos e hidrológicos do país.
Superintendente do CPRM falou sobre transposição de águas do rio Amazonas (Foto:Camila Henriques/G1 AM)
O Rio Amazonas joga no Oceano Atlântico em torno de 200
mil metros cúbicos por segundo. Um metro cúbico corresponde a mil litros de
água, então em média, são 200 milhões de litros de água doce que o rio despeja
no Oceano Atlântico. Na época de cheia esse volume pode ultrapassar 600 mil metros
cúbicos por segundo, conforme dados do CPRM. Marco Antônio Oliveira explicou
que 1% do volume da vazão poderia abastecer São Paulo e o Nordeste.
Seca no Sudeste: Chão rachado em área que costumava ser coberta por água em reservatório do Sistema Cantareira em Nazaré Paulista (SP) (Foto: Roosevelt Cassio/Reuters)
"Para São
Paulo, o que falta no Sistema Cantareira são 30 metros cúbicos por segundo, ou
seja, o Amazonas dispõe de uma vazão mil vezes o que necessita em São Paulo e
no Nordeste. Se fizesse um desvio de água de 1% desses 200 mil m³, para o Rio
Amazonas não seria nada, um desvio insignificante, mas que representa quase
toda a vazão do Rio São Francisco", afirmou o superintendente.
Diferentemente da proposta do governador do Amazonas,
que sugeriu a transferência da água na Foz, Oliveira sugere que a captação das
águas poderiam ser feita no trecho do Rio Amazonas que banha o Pará. Para o
Nordeste, seriam necessários percorrer cerca de 2 mil km e para o Sudeste 4 mil
km.
"Com um
projeto bem planejado poderia ser possível sim levar água para essas regiões.
Seria projeto pioneiro, não tem similar no mundo, talvez o da China que está
fazendo uma transposição do Himalaia para Região Norte do país. A questão de
vender a água é um mercado que não existe, vai ser criado. Temos condições
naturais de fornecer água para o Brasil inteiro, não é uma retirada como essa
que vai afetar a disponibilidade hídrica da região Norte. Aqui temos água na
atmosfera, nos rios e no subsolo. Agora qual vai ser a obra e o tipo de
intervenção que vão ser feitas são assuntos que têm que ser debatidos.
Provavelmente, terá impacto como, por exemplo, a mistura de ecossistemas, mas é
um impacto que precisa ser mesurado e mitigado", ressaltou Marco Antônio
Oliveira.
**Por Cleide CarvalhoSTF autorizou nova série de depoimentos de delação premiada.CURITIBA - O doleiro Alberto Youssef deve prestar novo depoimento à força-tarefa da Operação Lava-Jato para dar mais esclarecimentos sobre as citações feitas a autoridades com foro privilegiado, que são julgadas apenas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) .Na manhã desta quarta-feira, os advogados do doleiro pediram ao juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal em Curitiba, que ele seja dispensado de comparecer à audiência marcada para esta tarde na Justiça Federal, no processo que envolve dirigentes da empreiteira Mendes Junior.O pedido foi deferido e o doleiro vai falar da carceragem da Polícia Federal.Youssef já prestou mais de 80 depoimentos no âmbito da delação premiada.O ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa falou 83 vezes à força-tarefa.O ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou que fossem tomados novos depoimentos de Youssef e do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa, a pedido da Procuradoria-Geral da República.A informação é que não há fatos novos, apenas necessidade de detalhar depoimentos anteriores.O Ministério Público Federal só vai concluir os pedidos de abertura de inquérito contra políticos no STF e no Superior Tribunal de Justiça (STJ) depois de realizados os depoimentos.A audiência com depoimentos de testemunhas na ação contra dirigentes da Mendes Junior e da UTC também acontece na tarde desta quarta-feira na Justiça Federal de Curitiba.Vão depor o empresário Augusto Ribeiro Mendonça Neto, dono da Setal, do grupo Toyo-Setal; o consultor Júlio Almeida Camargo, que prestou serviços para a Samsung, Toyo Setal e Camargo Corrêa, e fez pagamento de propinas no Brasil e no exterior; a contadora Meire Poza, que trabalhou para o doleiro; e Leonardo Meirelles, que fez remessas ilegais de dinheiro para o exterior com contratos de câmbio fictícios por meio da empresa Labogen.Onze réus desta ação respondem em liberdade, um está em prisão domiliar (Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras) e quatro estão presos: além de Youssef, Sérgio Cunha Mendes, vice-presidente da Mendes Junior; Ricardo Pessoa, presidente da UTC; e João Procópio de Almeida Prado, que está preso no complexo médico penal de Curitiba e é acusado de operar as contas e offshores do doleiro no exterior.
Não ficará Pedra sobre Pedra.
Magistrados e investigadores norte-americanos já
calculam que a Petrobras corre o risco de levar uma multa próxima
de US$ 5 bilhões, caso seja condenada com base no Foreign Corrupt
Practices Act - Lei contra Atos de Corrupção no Exterior (FCPA, na sigla
em inglês).
Caso a condenação se efetive e o valor não seja pago, a empresa fica
sumariamente afastada do acordo de globalização corporativa e impedida de
negociar ADRS na Bolsa de Nova York.
Se tal condenação for imposta nos EUA, investidores "minoritários" promoverão
enxurradas de ações judiciais pedindo ressarcimento de prejuízos.
Multas pesadíssimas também podem ser aplicadas, em caso de condenação, aos
dirigentes da empresa. Condenados criminalmente lá fora, ficam passíveis
de prisão se deixarem o território brasileiro. Integrantes da informal
"Associação de Juízes Anticorrupção" esperam convencer
especialistas norte-americanos que existe a possibilidade concreta de o
Conselho de Administração da Petrobras, do qual fazia parte a presidente
Dilma Rousseff e do Conselho Fiscal, também serem incriminados nos EUA,
junto com o corpo de executivos da Petrobras.
Esta é a grande dúvida dos processos civis e criminais tocados
com apoio do Departamento de Justiça dos EUA contra a Petrobras.
Ontem, por força legal e de mercado, a Petrobras foi obrigada
a informar ter recebido, no dia 21, uma notificação da Securities
and Exchange Commission (SEC), órgão regulador do mercado de
capitais norte-americano, requerendo documentos sobre a operação
Lava-Jato.
A estatal de economia mista garantiu que eles serão enviados após
o trabalho com o escritório nacional Trench, Rossi e
Watanabe Advogados e com o americano Gibson, Dunn & Crutcher, já
contratados
para fazer investigação interna independente.
Conforme o Alerta Total revelou ontem, na recente conversa com altos
diplomatas dos EUA com Dilma Rousseff, durante o G-20 na Austrália, a
Presidentabrasileira foi advertida de que a situação era delicada, porque
a Petrobras era alvo de investigações pelo departamento de Justiça e da
Securities and Exchange Commission - a SEC.
Os norte-americanos reclamam, sobretudo, da "falta de
humildade" de Dilma para tratar do assunto que envolve diretamente o
nome dela, já que foi presidente do Conselho de Administração
da Petrobras na gestão Lula da Silva. Dilma e outros membros
dos Conselhos de Administração e Fiscal correm risco de processo.
Mesmo risco das empresas de auditoria Price Watherhouse Coopers e KPMG
Auditores Independentes que assinaram balanços da estatal, sem qualquer
ressalva, durante o período investigado pela Lava Jato - e agora, também,
pelos norte-americanos.
O pavor dos corruptos brasileiros aumenta porque os investigadores dos EUA
prometem fazer um pente fino em operações de subsidiárias e coligadas.
Um alvo direto é a PFICo (Petrobras International Finance). A empresa
sofreu uma estranha cisão parcial por decisão da Assembleia Geral da
Petrobras, em 16 de dezembro de 2013.
Outro "target" é a Petrobras Global Finance B. V. – uma
caixa preta sediada em Rotterdam, na Holanda. Por causa da Lava Jato,
os investigadores também cuidarão de uma pouco conhecida
coligada, situada em um paraíso fiscal: a Cayman Cabiúnas Investment
Os norte-americanos têm outros alvos bem definidos. O principal deles é a
compra da refinaria de Pasadena, no Texas. Investigadores acenam com a
forte suspeita de que a empresa tenha sido adquirida em uma mera operação
de lavagem de dinheiro.
Também entram na rigorosa apuração as obras da
refinaria de Abreu e Lima (PE) e do Complexo Petroquímico do Rio
(Comperj).
Nos EUA, gera condenações a prisão ou multas milionárias o pagamento de
comissão a funcionários públicos para obtenção de vantagens comerciais ou
licenças para construção
Um magistrado brasileiro, membro da "AJA", ironiza: "A
Presidenta Dilma tem toda razão. Não vai ficar pedra sobre pedra"...
*'Lilica da Silva'
lilicarabinablog [Via Grupo Resistencia Democrática]
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015
EUA enchem Janot de provas e Petrolão já preocupa Lula e seus amigos, rumo à desgaste total de Dilma.
O Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, retorna ao Brasil na quinta-feira repleto de informações passadas pelo Departamento de Justiça dos EUA sobre a "Car Wash" (como eles chamam por lá a Lava Jato daqui). Nos bastidores do Judiciário, circulavam ontem informes de que Janot teve acesso a gravações comprometedoras feitas pela espionagem norte-americana que investiu pesado no Petrolão. No entanto, "grampos" de telefone e e-mail não serão usados como provas nos processos. Graves são os documentos que incriminam políticos e que provam erros concretos cometidos por diretores e conselheiros da Petrobras ferindo a legislação norte-americana contra corrupção no mercado de capitais.
Os investidores norte-americanos prosseguem nos processos contra a Petrobras. O procurador-geral do estado americano de Ohio, Mike DeWine, anunciou que, em nome dos aposentados do setor público estadual, apresentou uma ação contra a petrolífera por violação das leis federais do mercado de capitais. DeWine informou que os fundos de pensão dos estados de Idaho e Havaí também se uniram à ação, apresentada à corte distrital de Nova York. A cidade americana Providence, em Rhode Island, também está acionando a petroleira brasileira na Justiça. Os processos nos EUA afetam diretores e conselheiros da Petrobras, incluindo Dilma Rousseff, que presidiu o Conselhão da estatal. É alto o risco de condenações a pesadas multas e até penas de prisão. O caso está com o juiz Jed Rakoff, com fama de durão.
Janot e os promotores da força-tarefa da Lava Jato só voltam ao Brasil menos pressionados que os 33 (ou mais?) políticos que passarão um carnaval dos infernos por aqui, temendo a provável denúncia na Quarta ou Quinta-feira de Cinzas. A cada novo depoimento na 13a Vera Federal em Curitiba, O Presidentro Luiz Inácio Lula da Silva, sua Presidenta Dilma Rousseff e os aloprados do PT entram em desespero máximo. Indícios bem concretos já começam a ligar pessoas muito próximas a ele com o escândalo. Uma delas é o documento do Banco Central, vazado pela revista IstoÉ, comprovando que o amigão José Carlos Bumlai contraiu um empréstimo irregular de R$ 12 bilhões junto ao falido banco da construtora Schahin, em troca de contratos suspeitos com a Petrobras.
Lula também ficou pt da vida novamente com a ex-gerente da Petrobras, Venina da Fonseca, que voltou a dizer que foi advertida pelo ex-diretor de Abastecimento, Paulo Roberto Costa, de que suas denúncias iriam derrubar o ex-Presidente da República e o então presidente da estatal José Sérgio Gabrielli. Em depoimento, sexta-feira passada, no processo envolvendo réus ligados a Galvão Engenharia, Venina foi pressionada pelo advogado de defesa do doleiro Alberto Youssef a lembrar a conversa com Costa em 2008, contada por Venina na entrevista de dezembro ao programa Fantástico, da Rede Globo. Na versão, Venina teria ouvido de Costa, apontando para o retrato de Lula, o desabafo: “Você quer derrubar todo mundo?”.
Venina repetiu no depoimento ao juiz Sérgio Fernando Moro: " Aí eu falei com ele o seguinte: 'ele já fez, não tem como eu agora chegar e falar 'vamos esquecer o que aconteceu e vamos realmente trabalhar diferente daqui pra frente''. Existia um fato concreto que tinha que ser apurado e que tinha que ser investigado. Aí neste momento ele ficou muito irritado comigo. A gente estava sentado numa mesa da sala dele, ele apontou pro retrato do Lula, apontou também pra direção da sala do Gabrielli e me perguntou: 'você quer derrubar todo mundo?' Aí eu fiquei assustada e falei pra ele assim: 'olha, eu tenho duas filhas, eu tenho que colocar a minha cabeça num travesseiro e dormir, e no outro dia de manhã eu tenho que olhar nos olhos dela e não sentir vergonha".
Além da Lava Jato, os políticos brasileiros ficaram encagaçados com a investigação realizada por 154 jornalistas de 45 países e batizada de “SwissLeaks”. A apuração do ICIJ (The Internacionational Consortium of Investigative Journalists) revelou que o Brasil ocupa a quarta posição em número de clientes com passaporte ou nacionalidade brasileira envolvidos num vasto sistema de evasão de divisas aceito pelo banco HSBC britânico através de sua filial suíça. Nada menos que 8.667 clientes tinham algum vínculo com o Brasil, sendo 55% com a nacionalidade brasileira. Os documentos vazados por um ex-funcionário da área de informática do banco mostram ainda que o Brasil é o nono país em volume de dinheiro associado a contas no paraíso fiscal, com um total de US$ 7 bilhões no período analisado, entre 2006 e 2007.
O dia promete ser eletrizante com a decisão sobre a provável revogação da liberdade a Renato Duque. O ex-diretor da Petrobras deve retornar à prisão que o criativo humorista governista Paulo Henrique Amorim batizou de "Guantanamo de Curitiba". Para piorar, vem aí, da Itália, a decisão sobre a extradição ou não de Henrique Pizzolato, ex-diretor de marketing do Banco do Brasil, condenado na Ação Penal 470, do Mensalão. Se o cara retornar, o inferno petista terá aumentos substanciais de temperatura e pressão. Ainda mais no momento em que o "Impeachment de Dilma" caiu na boca do povo - como bem ironizou ontem um ex-petista, o senador Cristovam Buarque, do PDT, partido que faz parte da base aliada.
Vitória governista
Os petroleiros terão um novo representante no Conselho de Administração da Petrobras.
O candidato apoiado pela Federação Única dos Petroleiros (FUP), Deyvid Bacelar, venceu o segundo turno das eleições, realizadas segunda-feira, com 57,8% dos votos.
O atual representante dos trabalhadores no Conselho, Sílvio Sinedino, ficou com 42,1% dos votos.
Vira o jogo?
Queda momentânea?
Porre carnavalesco
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Por Jorge Serrão - serrao@alertatotal.net
© Jorge Serrão. Edição do Blog Alerta Total de 10 de Fevereiro de 2015
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terça-feira, 10 de fevereiro de 2015
Dilma planeja pronunciamento em rede de rádio e TV; é um erro!
Quem ficou muda até agora pode esperar um pouco mais.
Ai, ai… Bateu o clima de barata-voa no Palácio do Planalto. Bateu o desespero. Por quê? Por causa da pesquisa Datafolha. Em dois meses, caíram de 42% para 23% os que avaliam seu governo como ótimo ou bom. E dispararam de 24% para 44% os que dizem ser ele “ruim ou péssimo”. É o pior da história. Nordestinos começam a abandonar o governo. O menor índice de “ótimo e bom” na região era 41%; agora 29%; o maior de “ruim e péssimo” era 21%; agora, 36%. Entre quem ganha até dois mínimos, o mais baixo “bom/ótimo” de Dilma era 38%; hoje, 27%; o mais alto “ruim/péssimo” era 23%; saltou para 36%. Na faixa de 2 a 5 mínimos, o descontentamento é explosivo: Dilma tem apenas 21% de “ótimo e bom” — o recorde negativo anterior era de 29%. A marca máxima do “ruim/péssimo” era 30% pulou para 46%.
Pois bem. Diante disso, fazer o quê? Algum gênio palaciano sugeriu que a presidente faça um pronunciamento público em rede de rádio e TV depois do Carnaval. Aproveitaria para anunciar algumas medidas positivas. Também estaria organizando uma grande entrevista a um veículo de comunicação. Então tá. A emenda pode ficar pior do que o soneto. Dilma abusou da nossa paciência aparecendo duas vezes na TV para anunciar, por exemplo, o seu estupefaciente pacote energético, que quebrou o setor. Venceu as eleições com promessas que anunciavam o umbral do paraíso, e agora estamos vendo os juros e a inflação na estratosfera, o reajuste de tarifas, a recessão em curso. E fez tudo isso em silêncio, sem prestar contas.
Não parece uma boa ideia responder a uma pesquisa negativa com uma aparição tão rápida. Acho que se trata de uma reação um tanto primitiva. Ela precisa, isto sim, é pôr um pouco de ordem no governo e evitar operações desastradas como a que resultou na nomeação de Aldemir Bendine para a presidência da Petrobras. Nada contra a sua competência no setor financeiro. Até o lance quase jocoso relativo ao empréstimo a Val Marchiori serviria menos ao escarnecimento se não pairasse a suspeita de que ele foi escolhido para maquiar o balanço. É o que se comenta em todo canto. Nesse caso, a sua competência conta contra ele, não a favor.
Notem: isso até pode ser mentira. Talvez assine o balanço mais honesto da história da Petrobras. O problema é que se entrou naquela lógica severa da honestidade da mulher de César: não basta ser, tem também de parecer. Não é só isso. Ainda voltarei ao tema: Lula solapa o que resta de credibilidade a Dilma. Ao se lançar candidato para 2018, ele transforma a presidente numa pata manca.
Em suma: Dilma deveria esperar mais um pouco. Entre outras coisas, seria prudente que se conhecesse a lista de políticos enroscados na Operação Lava Jato. Só aí se terá uma dimensão mais clara da crise. Falar agora numa rede de rádio e TV soará como um misto de desespero e cinismo. Quem ficou muda até agora pode esperar um pouco mais.
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