Por Guilherme Fiuza - em O GLOBO - 04/0/2010
Quando estourou o escândalo do mensalão, em 2005, o companheiro Delúbio foi logo avisando que aquilo era uma tentativa de golpe da direita contra o governo popular. Agora, com o escândalo da espionagem na Receita Federal, a companheira Dilma alerta que "estão tentando virar a mesa da democracia".
O enredo da esquerda oprimida, como se vê, é inesgotável. É dura a tarefa de se perpetuar no poder e continuar oprimido. Requer uma formidável ginástica conceitual, quase um presépio de fetiches - o papai pobre, a mamãe heroica, o filho do Brasil, a manjedoura estatal. Foi penoso para o então tesoureiro Delúbio Soares interromper as baforadas no charuto cubano para gritar, empanturrado de verbas públicas privatizadas pelo PT, que precisava de socorro contra a ameaça das elites.
Não deve ser fácil passar a vida erguendo barricadas imaginárias. Dilma Rousseff que o diga. As operações na penumbra para detonar adversários políticos - como o dossiê Ruth Cardoso, montado em seu gabinete na Casa Civil - não lhe deixaram feridas. O famigerado "banco de dados" sobre as despesas pessoais da falecida ex-primeira-dama, que é exemplo de dignidade na política brasileira, parece até que não existiu. Sumiu na poeira da mitologia eleitoral, onde Dilma é apenas a mulher valente que luta pelos pobres. O caso Lina Vieira também ficou invisível nesse presépio.
A ex-secretária da Receita Federal denunciou Dilma por tráfico de influência, afirmando que a então ministra ordenou-lhe tratamento especial a um processo envolvendo a família Sarney. Lina sumiu, e a investigação também. O Brasil deixou para trás um indício grave de interferência política da ministra-chefe da Casa Civil na Receita Federal. Um belo habeas corpus para a conspiração. O escândalo da invasão do sigilo da filha de José Serra na Receita, portanto, pode ser tudo - menos surpreendente.
O roteiro do filme estava pronto, na cara de todos. Já tinha até trailer, com o caso Eduardo Jorge, o vice-presidente do PSDB cujo sigilo fiscal foi igualmente socializado. Há meses o país assiste a esse trailer soturno: como um cidadão de segunda classe, Eduardo Jorge persegue por conta própria a reparação por seus direitos violados, diante de uma Receita Federal impávida, fingindo-se de morta.
O caso Verônica Serra já começava a ser cozinhado no mesmo fogo lento. O secretário da Receita - o diligente substituto de Lina Vieira - chegara a informar que os dados de Verônica tinham sido solicitados por ela mesma. Aí entrou em ação a imprensa, essa entidade que existe para atrapalhar a química entre o governo de esquerda e o povo. E veio à tona a informação inconveniente: não só a procuração apresentada à Receita era falsa, como a essa altura a própria Receita já sabia disso. Sabia, mas não contou para ninguém. Deve ser uma outra concepção de sigilo. Os percursos do valerioduto entre as estatais brasileiras e o partido do presidente, os bancos de dados extraoficiais, a conduta temperamental de órgãos técnicos capitais como a Receita Federal - para ficar só no universo da máquina pública - compõem uma literatura republicana no mínimo intrigante.
Em circunstâncias normais, este seria um governo sob suspeita. Ou talvez, acossado pela vigilância democrática, já tivesse corrigido esses desvios - curando-se da obsessão de submeter o Estado ao cabresto partidário. Mas as circunstâncias não são normais. Dificilmente haverá um paralelo, em toda a história da democracia, de um governo quase à prova de desgaste, que chega ao fim de um exercício de oito anos com menos de 5% da população a reprová-lo. E em regime de plena liberdade. Esta é a façanha de Lula, legítima, que todos precisam reconhecer - mesmo os que discordam de suas políticas.
O problema é o que será feito com essa fortuna de popularidade. O caminho da mistificação populista, simbolizado pela lavagem cerebral do "nunca antes na história deste país", provavelmente já estaria abrandado se o cenário da sucessão de Lula fosse outro. A necessidade de inventar Dilma Rousseff, uma militante despreparada, insegura e absolutamente desprovida de magnetismo e propensão ao diálogo, fez recrudescer a blindagem mitológica.
A alta vulnerabilidade da candidata ressuscitou os instintos mais autoritários do PT. O pesadelo de todos os envolvidos no Plano Dilma é que sua fragilidade e mediocridade acabem expostas em praça pública. E que o paraíso do lulismo acima do bem e do mal chegue ao fim, com a inevitável percepção geral dos problemas reais - como a bagunça institucional que avança no setor público, vide o escândalo da Receita, entre outros desmandos. Resta a Dilma gritar que estão querendo virar a mesa da democracia, evocando os totens do oprimido para manter a hipnose coletiva. O risco para ela e seus companheiros é perder o poder. O risco para o Brasil é perder a liberdade.
Este blog objetiva a publicação de notícias e entretenimento, com base nas publicações jornalísticas nacionais. As de autoria de terceiros terão suas fontes declaradas ao final de cada postagem.
sábado, 4 de setembro de 2010
O império dos oprimidos
Dilma 1,99 Roussef

“Depois de falir como comerciante, Dilma Rousseff voltou correndo para o aparelho estatal. A loja de produtos panamenhos e chineses foi expurgada de sua biografia oficial. O fracasso revela a verdadeira natureza de Dilma Rousseff: ela só existe como acessório do PT”
Dilma Rousseff era uma apaniguada do PDT. Quando saiu do PDT, ela virou uma apaniguada do PT. Desde seu primeiro trabalho, trinta anos atrás, na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, Dilma Rousseff sempre foi assalariada do setor estatal. E no setor estatal ela sempre foi apadrinhada por alguém. O PT loteou o estado. Nesse ponto, Dilma Rousseff é a mais petista dos petistas. Porque durante sua carreira todos os cargos que ela ocupou foram indicados por alguma autoridade partidária. Dilma Rousseff é o Agaciel Maia dos Pampas. Ambos pertencem à mesma categoria profissional. Tiveram até cargos análogos. Agaciel Maia, apaniguado de José Sarney, foi nomeado diretor-geral do Senado. Dilma Rousseff, apaniguada de Carlos Araújo, foi nomeada diretora-geral da Câmara de Vereadores de Porto Alegre. Além de ser um dos mandatários da esquerda gaúcha, Carlos Araújo era também o marido de Dilma Rousseff, garantindo esse gostinho pitoresco de Velha República cartorial e nepotista. A loja de produtos importados de Dilma Rousseff foi inaugurada em 1995. Fechou quinze meses depois. Foi o primeiro e último trabalho que ela teve fora do sistema de loteamento partidário. Deu errado. Carlos Araújo, seu financiador, acabou perdendo dinheiro. O dono de uma tabacaria localizada perto da loja de Dilma Rousseff contou o seguinte à Folha de S.Paulo: “A gente esperava uma loja com artigos diferenciados, mas quando ela abriu era tipo R$ 1,99”. A especialidade de Dilma Rousseff eram os brinquedos chineses importados da Zona Franca de Colón, no Panamá. Em particular, os bonecos dos “Cavaleiros do Zodíaco”, escolhidos pessoalmente por ela. O Brasil de Dilma Rousseff será assim: um entreposto de muambeiros panamenhos inteiramente tomado pela pirataria chinesa. É o Brasil a R$ 1,99. Dilma Rousseff, com seu mestrado galáctico, será nossa Saori Kido, a Deusa da Sabedoria dos “Cavaleiros do Zodíaco”. José Dirceu, com sua armadura vermelha, será nosso Dócrates mensaleiro. Depois de falir como comerciante, Dilma Rousseff voltou correndo para o aparelho estatal, onde ninguém perde dinheiro e o único cliente é o partido. A loja de produtos panamenhos e chineses foi convenientemente expurgada de sua biografia oficial. O fracasso do empreendimento, porém, revela a verdadeira natureza de Dilma Rousseff: ela só existe como um acessório do PT, exatamente como os sabotadores da Receita Federal que violaram o imposto de renda da filha de José Serra e fraudaram seus documentos. O Brasil está à venda por R$ 1,99. Ou fechamos as portas de Dilma Rousseff, ou ela fechará as nossas portas.
*Texto de Diogo Mainardi, na Veja
O fim do “Serrinha paz e amor”
José Serra definitivamente partiu para o ataque. Em Joinville, (SC) nesta sexta-feira (3), o candidato do PSDB à Presidência da República lançou uma saraivada de críticas. Voltou a se dizer chocado a quebra do sigilo de sua filha, Verônica. Mas este foi só um dos temas usados para atingir o governo. “O PT trabalha contra a liberdade”, resumiu o presidenciável. A postura mais incisiva adotada pelo candidato no programa eleitoral da última quinta-feira (3) também apareceu na fala do tucano.Num discurso de aproximadamente 20 minutos para uma plateia formada por empresários da cidade, ele usou a maior parte do tempo para atacar: lembrou as tentativas de controle da imprensa, o uso da máquina pública para fins políticos, a alta carga tributária, o apoio ao Irã, a taxa de juros, os baixos investimentos, a falta de fiscalização na fronteira com a Bolívia, a lentidão nas obras e aquilo que chamou de viés autoritário do PT.
O tucano não fez críticas diretas a Luiz Inácio Lula da Silva. Mas foi mais contundente ao comentar o atual governo: “É uma administração avessa àquela que eu defendo para o Brasil”, afirmou. Para quem preferia centrar fogo apenas na figura da rival Dilma Rousseff e tentava emplacar um discurso quase de continuidade, é uma mudança de rumo.
Aos empresários, o candidato tucano falou de economia. E prometeu cortar impostos – mas gradualmente e de forma pontual “Vamos diminuir essa carga tributária ao longo do tempo, vamos torná-la racional. Diminuir a informalidade”.
Insinuação sobre Dilma – Mais tarde, durantre comício também em Joinville, Serra lembrou – ainda que indiretamente – um tema sobre o qual até havia silenciado: o mal-explicado passado guerrilheiro de Dilma Rousseff. “Nenhum trecho da minha vida está guardado num cofre. Eu não tenho que ficar me explicando sobre nada do meu passado. Sobre nenhuma ideia que tive no passado e não tenho agora “, comparou o tucano.
Neste sábado (4), José Serra percorre três cidades do litoral de Santa Catarina e, à tarde, segue para a região de Londrina (PR). As viagens fazem parte da estratégia montada pelos tucanos para recuperar parte dos votos perdidos com a ascensão de Dilma Rousseff na região Sul.
*(Gabriel Castro, de Joinville)-http://veja.abril.com.br/
Crime de quebra de sigilo, para Lula, é futrica!
Por Reinaldo Azevedo:A Receita Federal se transformou num covil político-partidário, a serviço de uma candidatura. Os documentos que o Estadão trouxe à luz o provam. Direitos constitucionais estão sendo agredidos. O mínimo que se esperava do presidente da República é algum decoro — ainda que, como diz o Estadão, basta que ele olhe no espelho para saber quem é o responsável último pela bandidagem. Lula é o culpado pela desprofissionalização daquele órgão de estado. Mas, já sabemos, a mulher de César, hoje em dia, não precisa nem ser nem parecer honesta. César também não! Basta ligar o “dane-se” (o povo usa outro verbo) e seguir em frente. Serra havia advertido Lula, no dia 25 de janeiro, que blogs do PT faziam ilações asquerosas sobre sua filha com base em dados que só poderiam ter advindo da quebra de sigilo. Um desses blogs, que recorre a uma linguagem inacreditável para desqualificar o tucano, recebeu uma carta de agradecimento do presidente da República. Ela valia por um endosso para toda aquela baixaria. Outras páginas, de que a Caixa Econômica Federal é “anunciante”, faziam e fazem o mesmo.O tucano talvez tenha imaginado que estava tendo uma conversa maiúscula com Lula, em que ambos aceitavam que há limites para a disputa política. Engano! Lula é o sem-limites por excelência.
Ele é o comandante da orgia institucional em curso. Hoje, no Rio Grande do Sul, ele resolveu tratar do assunto. E vejam em que termos, segundo a Folha (ele em vermelho, eu em azul):
“Nosso adversário deveria procurar um novo argumento. Não é possível que possa pedir que eu censure a internet. Não posso fazê-lo. Ele não me alertou. Ele se queixou.”
Serra certamente não pediu censura. Como se trata de blogs do PT, tão ligados ao partido que um deles recebeu uma carta pessoal do presidente, o que o tucano deve ter feito foi um alerta contra o jogo sujo.
“Sempre achei que a internet livre tem coisa extraordinariamente séria e coisa extraordinariamente leviana. Não tem nada demais o que a internet publicou sobre a filha de Serra. Há insinuações como há contra o presidente Lula, contra a família do presidente Lula, contra vocês jornalistas individualmente. Se escrevem alguma coisa que o internauta não gosta, tomam cacete o dia inteiro”.
É verdade, há blogs que gostam e que não gostam de Lula; que gostam e que não gostam de Serra. Mas há os blogs que gostam de Lula (e Dilma) e que não gostam de Serra que contam com o aporte de dinheiro público. Isso é grave.
“O Serra precisa saber uma coisa: eleição a gente ganha convencendo os eleitores a votar na gente. Não é tentando convencer a Justiça Eleitoral a impugnar a adversária. Isso já aconteceu em outros tempos, na ditadura militar. Na democracia, o senhor Serra que vá para rua, que melhore a qualidade de seu programa [de TV]”
Lula inverte a lógica do jogo e tenta transformar a vítima em réu. Está sendo alvo de ilegalidade asquerosas, de crimes de Estado? Ora, que vá para a rua.
“E eu não vou permitir que nenhuma futrica menor, porque não tem nenhuma acusação grave contra o Serra, tem aquelas coisas de internet, atrapalhe. O presidente da República tem coisa mais séria para cuidar do que as dores de cotovelo do Serra”.
Lula chama a violação da Constituição de “futrica menor”. E notem que ele já se colocou como juiz e decidiu: “Não tem acusação grave”. Este é o presidente que, segundo o ministro da Justiça, mandou apurar tudo.
Ele é o comandante da orgia institucional em curso. Hoje, no Rio Grande do Sul, ele resolveu tratar do assunto. E vejam em que termos, segundo a Folha (ele em vermelho, eu em azul):
“Nosso adversário deveria procurar um novo argumento. Não é possível que possa pedir que eu censure a internet. Não posso fazê-lo. Ele não me alertou. Ele se queixou.”
Serra certamente não pediu censura. Como se trata de blogs do PT, tão ligados ao partido que um deles recebeu uma carta pessoal do presidente, o que o tucano deve ter feito foi um alerta contra o jogo sujo.
“Sempre achei que a internet livre tem coisa extraordinariamente séria e coisa extraordinariamente leviana. Não tem nada demais o que a internet publicou sobre a filha de Serra. Há insinuações como há contra o presidente Lula, contra a família do presidente Lula, contra vocês jornalistas individualmente. Se escrevem alguma coisa que o internauta não gosta, tomam cacete o dia inteiro”.
É verdade, há blogs que gostam e que não gostam de Lula; que gostam e que não gostam de Serra. Mas há os blogs que gostam de Lula (e Dilma) e que não gostam de Serra que contam com o aporte de dinheiro público. Isso é grave.
“O Serra precisa saber uma coisa: eleição a gente ganha convencendo os eleitores a votar na gente. Não é tentando convencer a Justiça Eleitoral a impugnar a adversária. Isso já aconteceu em outros tempos, na ditadura militar. Na democracia, o senhor Serra que vá para rua, que melhore a qualidade de seu programa [de TV]”
Lula inverte a lógica do jogo e tenta transformar a vítima em réu. Está sendo alvo de ilegalidade asquerosas, de crimes de Estado? Ora, que vá para a rua.
“E eu não vou permitir que nenhuma futrica menor, porque não tem nenhuma acusação grave contra o Serra, tem aquelas coisas de internet, atrapalhe. O presidente da República tem coisa mais séria para cuidar do que as dores de cotovelo do Serra”.
Lula chama a violação da Constituição de “futrica menor”. E notem que ele já se colocou como juiz e decidiu: “Não tem acusação grave”. Este é o presidente que, segundo o ministro da Justiça, mandou apurar tudo.
Um estranho caso
Fotomontagem Toinho da passiraO PT e o staff da campanha da candidata Dilma Roussef se depara com um tropeço desnescessário no caso da violação do sigilo fiscal de Verônica Allende Serra, empresária e filha do presidenciável tucano José Serra. O partido, que informara que a própria Verônica Serra pedira a quebra do seu sigilo fiscal à Receita Federal do Brasil, viu-se diante de uma verdade incontestável: a constatação de que se tratava de uma grosseira falsificação de documentos com objetivos, digamos, espúrios.
Serra, de pronto, já afirmara que se tratava de mais uma mentira de um governo que se caracterizou pela militância "aloprada". O tabelião Fabio Tadeu Bisognin, responsável pelo 16º Tabelião de Notas de São Paulo, enviou ofício ao juiz corregedor da 2ª Vara de Registros Públicos, vinculada ao Tribunal de Justiça de São Paulo, informando que constatou fraude no documento que faz parte da sindicância da Receita Federal que apura a violação de sigilo fiscal de integrantes do PSDB. O documento analisado por Bisognin, supostamente assinado pro Verônica Serra, é uma solicitação à Receita Federal para que providencie cópias das declarações de renda da filha do candidato do PSDB, referentes aos exercícios de 2007 a 2009. A suposta assinatura da filha de José Serra aparece no documento com firma reconhecida pelo 16º Tabelião, que não tem em seus arquivos cartão de assinatura de Verônica Serra. “Não é autêntico. Não foi feito no 16º Cartório de Notas, é falso, ela não tem firma depositada neste cartório”, afirmou Fabio Tadeu Bisognin. Durante entrevista, Bisognin disse os funcionários da Receita Federal poderiam identificar a fraude. “Se eles tiverem padrões do meu reconhecimento de firma verdadeiro, eles, possivelmente, têm condições, inclusive porque meu nome está errado”, declarou. Resumindo, o Brasil está a um passo de se transformar na versão continental de Cuba, com direito a detalhes truculentos importados da vizinha Venezuela. Em reação indignada o candidato do PSDB à Presidência, José Serra, fez na noite de ontem o seu mais duro discurso de oposição ao governo Lula. O tucano classificou o PT e a presidenciável Dilma Rousseff como inimigos da liberdade e da democracia. "Quando os tiranos ou candidatos a tiranos desejam subjugar uma sociedade, começam restringindo a liberdade", afirmou no Encontro com Prefeitos, organizado pela campanha tucana. "Aqueles que foram de esquerda e que hoje não são nem isso nem aquilo são mais para fascistas", completou. Em discurso inflamado, Serra evocou o caso do caseiro Francenildo dos Santos Costa, que teve o sigilo bancário quebrado em 2006 após denunciar a participação do então ministro da Fazenda, Antonio Palocci, em reuniões com lobistas em uma casa em Brasília, onde haveria festas e partilha de dinheiro. O candidato tucano relacionou a violação dos dados de Francenildo com o vazamento de informações fiscais de pessoas ligadas a sua campanha e de sua filha, Verônica. "Quando se viola o sigilo bancário de um caseiro, viola-se a Constituição. Quando se viola o sigilo fiscal de uma filha nossa, viola-se a Constituição", afirmou Serra. *Fontes: Ucho Info, Estadão
Serra, de pronto, já afirmara que se tratava de mais uma mentira de um governo que se caracterizou pela militância "aloprada". O tabelião Fabio Tadeu Bisognin, responsável pelo 16º Tabelião de Notas de São Paulo, enviou ofício ao juiz corregedor da 2ª Vara de Registros Públicos, vinculada ao Tribunal de Justiça de São Paulo, informando que constatou fraude no documento que faz parte da sindicância da Receita Federal que apura a violação de sigilo fiscal de integrantes do PSDB. O documento analisado por Bisognin, supostamente assinado pro Verônica Serra, é uma solicitação à Receita Federal para que providencie cópias das declarações de renda da filha do candidato do PSDB, referentes aos exercícios de 2007 a 2009. A suposta assinatura da filha de José Serra aparece no documento com firma reconhecida pelo 16º Tabelião, que não tem em seus arquivos cartão de assinatura de Verônica Serra. “Não é autêntico. Não foi feito no 16º Cartório de Notas, é falso, ela não tem firma depositada neste cartório”, afirmou Fabio Tadeu Bisognin. Durante entrevista, Bisognin disse os funcionários da Receita Federal poderiam identificar a fraude. “Se eles tiverem padrões do meu reconhecimento de firma verdadeiro, eles, possivelmente, têm condições, inclusive porque meu nome está errado”, declarou. Resumindo, o Brasil está a um passo de se transformar na versão continental de Cuba, com direito a detalhes truculentos importados da vizinha Venezuela. Em reação indignada o candidato do PSDB à Presidência, José Serra, fez na noite de ontem o seu mais duro discurso de oposição ao governo Lula. O tucano classificou o PT e a presidenciável Dilma Rousseff como inimigos da liberdade e da democracia. "Quando os tiranos ou candidatos a tiranos desejam subjugar uma sociedade, começam restringindo a liberdade", afirmou no Encontro com Prefeitos, organizado pela campanha tucana. "Aqueles que foram de esquerda e que hoje não são nem isso nem aquilo são mais para fascistas", completou. Em discurso inflamado, Serra evocou o caso do caseiro Francenildo dos Santos Costa, que teve o sigilo bancário quebrado em 2006 após denunciar a participação do então ministro da Fazenda, Antonio Palocci, em reuniões com lobistas em uma casa em Brasília, onde haveria festas e partilha de dinheiro. O candidato tucano relacionou a violação dos dados de Francenildo com o vazamento de informações fiscais de pessoas ligadas a sua campanha e de sua filha, Verônica. "Quando se viola o sigilo bancário de um caseiro, viola-se a Constituição. Quando se viola o sigilo fiscal de uma filha nossa, viola-se a Constituição", afirmou Serra. *Fontes: Ucho Info, Estadão
A frase da semana
"Se político fosse um parque de diversões
para cronistas, Dilma seria a Disneylândia"
(Reinaldo Azevedo)
sexta-feira, 3 de setembro de 2010
O contador "aloprado": Uma breve história.
Comecemos com o que diz o Jornal O Globo: O técnico em contabilidade Antônio Carlos Atella Ferreira, de 62 anos, que, com uma procuração falsa em mãos, pediu acesso às declarações do Imposto de Renda da filha do candidato tucano à Presidência, José Serra, Verônica Serra, responde a dois processos sigilosos em Rondônia e é acusado de ter cinco CPFs diferentes. O Jornal O Globo localizou três CPFs de Atella, sendo que dois foram cancelados. No único documento válido, ele consta como proprietário de uma empresa de motores, a RDW Motor Ltda, em Lins, no interior de São Paulo, aberta em 2006. A empresa teve seu registro cancelado na Junta Comercial há pouco mais de dois meses, em 22 de junho. Na procuração forjada em nome de Verônica Serra, filha do candidato tucano à Presidência, José Serra, é fornecido um site de uma suposta empresa de Atella: a Atella Assessoria. A empresa não consta na Junta Digital sob esse nome. O site apresentado no documento teve seu domínio suspenso desde o fim de 2009, e o endereço já foi posto à venda. Atella, que afirma ter quase 40 anos de atuação no ramo contábil, tem outra empresa aberta em seu nome na Junta Comercial de São Paulo, mas sem as informações de CNPJ nem endereço. A empresa, que tem seu nome, foi aberta em 1971, como varejista de ferragens, ferramentas, cofres e extintores de incêndio. Em Rondônia, ele responde a dois processos sigilosos no Tribunal de Justiça. E uma ação de execução fiscal contra ele já foi arquivada. Em entrevista à 'Folha de S. Paulo', ontem, ele disse que não sabia dos processos, mas que deveria ter outros tantos movidos por ele, já que seria um rico proprietário de terras. No entanto, o nome da mãe de seu filho consta na lista de recebedores do Bolsa Família: — Para quem teve uma fazenda de 900 hectares, com certeza tenho uns 40 processos contra alguém e uns quatro se defenderam contra mim. Tive fazendas lá. Tenho vida pregressa de trabalho, estou acima do bem e do mal — disse o técnico contábil. Atella disse ter mais de um CPF porque seria 'um direito de qualquer cidadão', concedido pela 'própria Receita'. No entanto, cada pessoa só pode ter um CPF. — Tinha — disse, admitindo ter possuído cinco CPFs — mas pedi para o delegado da Receita suspender com uma carta de próprio punho, e ele deferiu. A mãe de seu filho Antonio Carlos Atella Junior, Gredy Regina de Francisco, recebe R$ 112 mensais do Bolsa Família desde setembro de 2009. Segundo dados do site Transparência, do próprio governo, Gredy recebeu R$ 448 em 2009 e pouco mais de R$ 700 este ano. Os pagamentos são feitos pela prefeitura de Nova Resende (MG).Um de seus filhos, Atella Júnior, que vive em Campinas, tem 26 anos. Numa comunidade da família Atella no Orkut, Grady diz que tem dois filhos, Junior e Carla.Segundo o Jornal Folha S. Paulo Atella tem perfil de estelionatário, conforme informações de policiais ouvidos pela Folha, que ainda informaram que ele já fora condenado duas vezes em 1975 (por lesões corporais leves e sedução de menor, crime que hoje é classificado como estupro), teve quatro CPFs cancelados e coleciona 16 processos na Justiça, 6 na área criminal. Não chegou a ser preso porque as condenações eram por períodos curtos: 30 dias de prisão (no caso de lesão corporal) e 2 meses e 10 dias de detenção, no processo de sedução de menor. Os CPFs cancelados foram tirados em São Sebastião (SP), Porto Velho (RO), em Cornélio Procópio (PR) e Santo André (SP), onde ele mora. O atual CPF foi expedido em Mauá, onde foi quebrado o sigilo de outras quatro pessoas ligadas a Serra, entre eles o vice-presidente do PSDB Eduardo Jorge.
A agência de Mauá é subordinada à delegacia de Santo André.
Já a revista Veja online, traz matéria onde, apesar de sustentar, em diversas entrevistas à imprensa, que nunca teve filiação partidária, o contador Antonio Carlos Atella Ferreira foi filiado ao PT. O pedido de filiação foi feito em 2003. O nome dele não aparece na base de dados atual da Justiça Eleitoral porque, em 2009, houve um problema técnico em seu registro, que não foi corrigido. Segundo o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP), Atella filiou-se em 20 outubro de 2003 ao PT. A data de exclusão é de 21 de novembro de 2009. Isso não significa, no entanto, que Atella tenha se desfiliado, apenas que o nome dele deixou de constar da lista de filiados ao PT. A exclusão foi feita menos de dois meses depois da violação do sigilo de Verônica Serra. A filiação foi feita primeiro em Mauá, no ABC paulista. Depois, o título de eleitor de Atella foi transferido para Ribeirão Pires, também no ABC.
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